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Teremos um novo normal?

Há quase um ano ouço falar em um novo normal.

Tenho muita limitação em entender como se pode ver possibilidade de coisa boa depois de tanta desgraça.

Não vejo um mundo melhor pós-pandemia. Na verdade, vejo um mundo mais desigual e concentrador de renda, já que os bilionários aumentaram sua fortuna em 31% em 2020, enquanto mais de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo e cerca de 12 mil podem morrer diariamente por falta de alimento.

Não vejo futuro num mundo que tem quase 15% da sua população acima de 15 anos analfabeta e onde mais de 9% vivem na pobreza extrema.

Não. Não sou um pessimista. Infelizmente, a realidade me dilacera na mesma proporção que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no planeta.

São números reais. Mais do que números: são vidas que estão se esvaindo pelas mãos da ganância e da desigualdade social.

Não haverá um outro mundo pós-pandemia, pois o mundo que temos agrada à meia-dúzia de endinheirados, acumuladores de fortuna construída com sangue e suor dos que morrem trabalhando, com fome e desespero.

O novo normal tão esperado será de muita tristeza. Por anos ainda iremos chorar a partida sem volta dos nossos entes queridos: pai, mãe, filhos, filhas, amigos, amigas, parentes, amores das nossas vidas.

No novo normal não teremos mais aqueles bons espíritos que conhecíamos desde criança e aquelas almas benevolentes já não estarão entre nós.

Está indo embora muita gente boa. Não me interessam as ruins, pois elas já morreram pra mim há muito tempo.

Mas tenham certeza de uma coisa que vai continuar tendo: luta. Vai ter luta.

Se eles nos roubam e oprimem, nos fazem mal, nos tiram o emprego, a comida, a escola e a vida, também não terão paz. Vai ter luta.


Lúcio Carril

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