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Tempestade e bonança

Tempestade e bonança


Faz poucos dias, lideranças empresariais e políticas do Amazonas não escondiam sua euforia. A produção do Polo Industrial de Manaus mostrava sinais de recuperação, o que significa dizer prometia reproduzir, quem sabe multiplicados, os lucros costumeiros. Agora, com uma catapulta adicional, a legislação castradora ou redutora de direitos trabalhistas. A tempestade trazida com a covid-19 teria sido ultrapassada e a nau singraria mares de almirante, enquanto os planos percorreriam céus de brigadeiro. Tudo era festa, mesmo que aos familiares e amigos de mais de 580 mil mortos não restassem senão lágrimas e saudades. Onde há o choro, sabe-se, também há os que sorriem, quando não é a gargalhada que ressoa. Cada qual com seus sentimentos, cada qual com seus modos de ver e desfrutar da vida. Afinal, um dia todos estaremos mortos. A fome, o desemprego, a doença, as carências de toda ordem – por que preocupar-se com elas, se respondem a planos e decisões cuidadosamente elaborados, dissimuladamente implantados? De um lado, acumulam-se mortos escondidos em covas; do outro, é nas contas bancárias, em paraísos fiscais de preferência, o registro da outra acumulação. Morte e vida, severamente severinas, contabilizando o que lhe cabe do latifúndio infeliz, extravasado do terreno cujo subsolo continua a receber habitantes eternos. Dão-se conta agora os beneficiários da covid-19, de que nuvens pesadas voltam a tingir o ambiente. A ilusória recuperação da atividade produtiva, não importa quantos foram infectados pela pandemia em razão dela, revela-se nos números. O decréscimo, comparados os meses de Junho e Julho, foi de 14,4%. No varejo, as vendas perderam 1,5%. A massa salarial, é fácil deduzir, participa cada dia menos do total da economia. Não obstante, repetem-se as manifestações de todo o sempre. Aplaudem-se as tentativas de instaurar o caos, comprovação evidente de que às lideranças empresariais e políticas importam pouco a ferocidade da covid-19, o desemprego, a fome, o desespero dos outros. Da inflação, essa espada de Dâmocles cuidadosamente manipulada, não trato. Que dela tratem os que dela tiram proveito. Logo virão propostas jamais esquecidas, às vezes sequer repaginadas, para evitar desemprego ainda maior. Pobre Erário!!!

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