Sociabilidade e cumplicidade

Dias atrás, levantei a suspeita de que o sinistro Paulo Guedes estaria atuando nas sombras. Enquanto o Presidente gerava celeuma a respeito de tantos assuntos, distraindo a atenção do País dos problemas reais. Ambos, Bolsonaro e Guedes agiam no sentido de concretizar a proposta do sinistro do Meio Ambiente, Ricardo Salles: facilitar a passagem da boiada. Agora, sabe-se a que se entregava o ex-aluno de Chicago. Nada mais, nada menos, à confecção do retorno da CPMF, no arremedo de uma reforma tributária ao gosto dos ganhadores de sempre. Os mesmos que mentem e fingem não saber mentirosa a afirmação de que o Brasil ostenta das maiores cargas tributárias do Planeta. Também recalcitrantes em contribuir para que o governo tome decisões distantes das necessidades e aspirações da parcela mais sofrida da população. Desde que, é claro, mantenham seus ganhos e ampliem a oportunidade de mais ganhar. Gabando-se de conhecerem boa parte do Mundo, fingem-se de mortos diante de anúncio que, dotados do mínimo sentimento humanitário, os faria sentirem-se pelo menos envergonhados: milionários de sete países manifestam-se junto aos respectivos governos para exigir sejam mais tributados. Sequer lhes passa pela cabeça o fato de que o tributo, longe de ser um favor do contribuinte ao Estado, tem a função de assegurar a todos uma vida digna e segura. É nos impostos pagos que o Estado tem os recursos indispensáveis à manutenção da estrutura necessária à prestação dos serviços públicos. Com eles se constroem escolas e hospitais, rodovias e portos e tudo mais quanto pode oferecer a necessária assistência aos contribuintes. A todos, repita-se. Disso sabem os milionários dos sete países. Possivelmente, nenhum deles dá preferência ao atendimento fora do seu próprio país ou da cidade onde reside. Ao contrário, preferem manter-se atentos à boa aplicação dos recursos, para tanto mantendo-se indepéndentes dos cofres do Estado e dispensando os favoeres que justificam a cumplicidade. Esta, imagino, semprer será pior que a solidariedade. Até que a sociabilidade. É isso que anda em falta.

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