SOBRE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Lúcio Carril*

Religião e política são duas figuras de uma mesma moeda – e entenda moeda aqui na sua dimensão monetária, além do recurso retórico da afirmação. O mundo moderno passou a ser construído como superação da intolerância, representada na idade média pelo domínio político do cristianismo. A política deveria, na nova realidade histórica, dar lugar a um racionalismo fundado na aceitação das diferenças e se afastar dos dogmas religiosos. Uma outra verdade passaria a conduzir a ação humana, sem, contudo, tornasse uma única verdade. O mundo ocidental foi tentando se compor com esse princípio, pelo menos como determinação histórica, já que a superação da época medieval precisava da desvinculação do Estado da religião, ou seja, a racionalidade não daria mais espaço ao domínio político dos dogmas religiosos. Infelizmente, chegamos aos dias atuais com um histórico de intolerância. A nossa intolerância é religiosa, não por sustentarmos um dogma religioso, mas pela contínua tentativa de impor uma verdade, tornando-a uma verdade absoluta, ou um dogma, seja de linha epistemológica, filosófica, ou mesmo do senso-comum. Se há um desafio posto é o de continuarmos a construção da modernidade, que tem como fio condutor a tolerância e a superação do dogmatismo.

* Lúcio Carril é sociólogo, pós graduado em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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