Sinuca de bico

Até junho a China importou 10,51 milhões de toneladas de soja de produtores brasileiros. Mais de 91% do que o Brasil exportou em 2019. A diferença entre os meses de maio e junho registrou acréscimo de 18,6%. Enquanto isso, os Estados Unidos da América do Norte sofreram queda de 56,5% nesse mesmo período de dois meses. Das mais de 610 mil toneladas enviadas para a China em maio, o país de Donald Trump exportou em junho menos de 270 mil toneladas. Por si mesmos, estes números revelam a irresponsabilidade da política externa brasileira, posta de joelhos ante o Presidente e a bandeira do país mais belicoso do Planeta. As relações do governo brasileiro com o agronegócio tendem a azedar mais, ainda, Além da hostilidade gratuita contra a contra o povo e o governo da nação asiática, as lideranças do setor afirmam categoricamente a possibilidade de aumentar a produção e as exportações sem desmatar um só hectare a mais do que já foi desmatado. Isso bate de frente com o propósito devastador do Presidente. Ninguém garantirá, contudo, que ele contenha sua hostilidade, quando voltar a expor-se mais ostensivamente. Por enquanto, mantém-se calado, mas se sabe que sua conduta é uma espécie de trégua diante do cerco policial e judiciário a seus filhos e diletos amigos. Não devem ter sido bons os últimos dias de Jair Bolsonaro. Segurar a língua por alguns dias é uma coisa; por muito tempo, em casos como o dele, parece impossível. Duvida-se, além do mais, que o Presidente tenha discernimento capaz de avaliar quanto bem causam à nação seu afastamento do governo e a contenção de sua má língua.

A sinuca de bico tem esses elementos sobre o feltro da mesa do jogo: a necessidade de exportar mais e continuar obtendo o aplauso do agronegócio e, ao pretexto infundado de expressar com liberdade sua opinião, falar o menos que puder. Para complicar, MDB e DEM abandonaram o Centrão.

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