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Silêncio e voz

Chico Buarque de Holanda, que não precisaria fazer - mas fez e faz - mais que Construção, para tornar-se dos maiores compositores da música universal, fez bem. Dirigiu-se ao poder competente para resolver os conflitos em sociedades que se pretendem democráticas. Desta vez - e mais uma - Chico é movido pela apropriação de outra de suas mais importantes composições. Meio de comunicação inspirado pelos (des)valores e práticas tão caros à direita que não pensa distorceram o conteúdo e o sentido de Cálice, já consagrada como um libelo e manifestação de revolta contra a ditadura. A de ontem, e a recente, que o Poder Judiciário e a opinião pública brasileira acabam de frustrar, e todas as outras que ainda frequentam o imaginário dos inimigos da democracia. Não sendo um pascácio, como os que praticaram o crime, o autor da música e da ação judicial sabe da probabilidade de outras músicas dele e de outros autores serem ilegalmente usadas pelos requeridos na ação por ele proposta no foro adequado. Como o sabem os que testemunham o progresso e a ampliação dos atentados contra a democracia, aqui e alhures. Daí que ao significado da ação judicial proposta por Chico se há de acrescentar a simbologia de que a peça adulterada pela direita é exemplo dos mais contundentes. Porque o Judiciário não se tem submetido aos caprichos dos que pensam tudo poder, ele é alvo, como o são os cidadãos pensantes, do ódio e da repressão. Não só aqui, como onde quer que a democracia incomode. Ganha maior relevância a ação movida pelo autor de Cálice, sobretudo por reiterar a resistência da sociedade brasileira, que não se cansa de cantar a bela composição do poeta Chico Buarque de Holanda. Quem cala, consente. Chico não cala. Outros buscam nele o arrimo para fazer calarem-se os dignos deste país. Não o conseguirão.

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