SETE MENTIRAS CAPITAIS - Orelha*

A desigualdade entre os indivíduos se agiganta em todo mundo. Aqueles situados no 1% mais rico da população mundial se apropriaram de 27% do crescimento da riqueza produzida entre 1980 e 2016. Os 50% mais pobres se mantiveram estáveis, apropriando-se de pouco mais de 10% dessa riqueza. Entre 1970 e 2016, o capital privado aumentou a taxas que variam entre 200 e 700% em países ricos. Enquanto isso, o capital público declinou a valores negativos como percentual da renda nacional líquida em um país como os EUA. É isso que aponta o Relatório Mundial da Desigualdade de 2018 (https://wir2018.wid.world/)

O que explica que a sociedade capitalista, forjada pela reivindicação de igualdade e liberdade, venha produzindo mais desigualdade e menos liberdade para a maioria dos que nela vivem?

É certo que na raiz da desigualdade estão relações combinadas de exploração econômica e dominação política articuladas local, regional, nacional e mundialmente. São relações que alcançam de maneiras várias distintos grupos humanos, subordinando de modo brutal aqueles cuja fonte única da existência é o próprio trabalho; aqueles, portanto, cujo acesso à cidadania é ou vem se tornando cada vez mais restrito graças à série de contrarreformas empreendidas em nome da “razão econômica”.

Essa razão se orienta por interpretações, ideias, discursos e palavras cujo fim é normalizar processos, relações e estruturas de dominação-exploração radicados na própria desigualdade. Para ela, a desigualdade é um dado da natureza, ainda que seja fruto da história vivida por indivíduos, grupos, camadas e classes sociais.

O livro que José Seráfico oferece aos leitores é uma denúncia e um alerta. Denúncia de embustes racionais com efeitos políticos graves e alerta para que mantenhamos viva a chama da crítica comprometida com a luta pela dignidade humana.

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* Marcelo Seráfico, Sociólogo, Professor da Universidade Federal do Amazonas, Mestre pela UNICAMP e Doutor pela UFRGS.

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