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Sempre para trás

O veto dos Estados Unidos da América do Norte à proposta brasileira aprovada por 12 das outras nações presentes à reunião do Conselho de Segurança da ONU não pode ser adequadamente avaliado, sem sua vinculação à interferência de Joe Biden na guerra. Nem estará completa qualquer avaliação desdenhosa das consequências que dos dois movimentos se hão de tirar. Incomodado com a insistência de DonaldTrump em enfrenta-lo na eleição presidencial de 2024, o democrata (?) opera em dois níveis. Embora o centro de seu atual protagonismo esteja milhares de quilômetros distante de sua sede oficial. Internamente, Biden utiliza expediente sobejamente conhecido no continente americano, de que a fracassada guerra nas Malvinas já é exemplo clássico. Com uma particularidade vantajosa para o concorrente de Trump. A aventura do almirante Galtieri vitimou argentinos e a guerra se travou no território em disputa. A demonstração de poder aparente, sobretudo dirigida à população e ao eleitorado de seu pais, pode render a imagem de coragem e belicismo que subjazem no ethos nacional. Dentro, portanto, ele poderá beneficiar-se. Em termos de política externa, já é sentida a rejeição de muitas nações à intromissão direta do governo americano na guerra entre Israel e o Hamas. Não porque se trate de algo inédito. Ao contrário, reforça a pretensão mal escondida de que os donos do Mundo nem se advertem do processo histórico, que os mostra em crescente movimento de fragilização e perda de liderança. A intromissão de Biden chegou ao exagero de afirmar, antes que investigações fossem concluídas, que o bombardeio de um hospital em Gaza foi obra "do outro lado". Quando - sem que eu possa atinar sobre as razões - alguns países esperavam a intermediação, Biden mostra-se parceiro de um dos contendores. Sem ao menos se dar conta da ascensão de Lula, como intermediário neutro e, por isso, confiável. Por ultimo, mas sem pretensão exaustiva, outro ponto deve ser destacado. Digo-o, a respeito da necessária multipolarização do poder, em nível internacional. Enfim, um retorno ao esplendor do colonialismo e à guerra fria. Em outros níveis e segundo a nova realidade mundial. Também pode ser vista a pouca intimidade do Presidente norte-anericano com os tratos diplomáticos. Será a volta do big-stick?

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