Sem olhar as razões...
- Professor Seráfico

- 31 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
Na edição de 29 passado, o sociólogo, economista e diplomata Marcos Troyjo mostra sua insatisfação com um fenômeno de que nem todos se aperceberam ou não sabem como encarar. Refere-se o ex-Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (o mesmo que a ex-Presidente Dilma Rousseff agora preside) ao que considera uma tragédia o fato de perda de prestígio do mercado. A entrevista em que o também ex-Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Brasil trata do assunto traz o título A economia de mercado está sob ataque no mundo. A tentativa de defender esse ser que tem nome, é multifacetado, tem fácil capacidade de travestir-se e mudar de pele, às vezes trocando apenas o CPF ou o CNPJ, mas age nas sombras, confirma o que os menos ingênuos há tempos perceberam. O entrevistado discorre superficialmente sobre as conquistas de muitos países, durante certo período, ao mesmo tempo em que mostra insatisfação e preocupação porque o mundo parece ter-se tornado hostil (quem sabe apenas menos simpático) à ditadura da mão invisível. O resumo da ópera, segundo o sentimento e as palavras de Troyjo, coloca a China e os Estados Unidos como os exemplos dessa perda de vigor da mão que ele gostaria de ver mostrando os caminhos e determinando-os aos povos. Para o ex-auxiliar do (des)governo anterior, a China já não reproduz o desempenho que a tornou invejada, porque é menor o ímpeto do mercado em sua economia. Já os Estados Unidos da América do Norte, em sua opinião, tornou-se um estado intervencionista. Nem uma só palavra a respeito dos produtos que os defensores do mercado buscam sempre esconder. Ninguém gostaria de saber-se responsável pela fome, pela miséria, pela violência, pelos cadáveres deixados no rastro das políticas agora chamadas neoliberais, esta denominação mesma servindo para revelar a capacidade de travestir-se da mão invisível. Tenham-se como verazes as informações sobre o enriquecimento das nações; comparem-se-nas com os problemas atribuídos à forma como esse processo se deu e e se tem dado e às relações sobre que se sustentam tais relações. Fome, violência, guerra, morte, desemprego, realmente não dignificam ninguém, nem edificam qualquer sociedade. É difícil, portanto, até dizer-se conservador, se tudo à nossa volta parece ver triunfante o egoísmo sobre qualquer outro sentimento. Não é gratuito o ataque ao deus cultuado pelos egoístas.

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