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Sem licença, nem poesia

Um terço da economia mundial e cerca de 40% da população da Terra concentram-se no BRICS. Dentre os mais novos integrantes do grupo de países, estão alguns dos maiores produtores de petróleo. Ainda assim, há quem despreze a crescente importância dessa associação, no que toca, especialmente, à ameaça que ela representa para os Estados Unidos da América do Norte. Permito-me discordar dessa apreciação, porque a vejo negligenciar certos aspectos da realidade internacional. O primeiro deles, os sinais do que muitos analistas políticos e econômicos consideram o começo do fim de um império. Neste caso, a hegemonia do país de Tio Sam e os que lhes obedecem e seguem. Se faltassem evidências do declínio ora experimentado pela nação que Donald Trump governa, fato recente ajuda a firmar a convicção de que os USA dão sinais de decadência. Comparem-se as ameaças e o tratamento discriminatório e desrespeitoso dirigidos por Trump ao México, ao Brasil, ao Panamá, ao Canadá e à Dinamarca, com os salamaleques por ele dirigidos à China. Além de atestar quanto o Presidente recém-empossado teme o crescente poderio chinês, ele quer dar a impressão de que ainda tem condições de mobilizar governos de países que um dia não foram mais que satélites (como se dizia, ao tempo da guerra fria) da grande nação além-rio Grande. O fato de um desses países estar hoje à frente do BRICS quer dizer mais do que faz supor a estúpida arrogância de Donald Trump. Mais, ainda, quando se sabe ser brasileira a dirigente do NBC, Novo Banco Central do BRICS. Perdoem-me os que veem saída a curto prazo para a crise em que Trump fará mergulhar cada dia mais os Estados Unidos da América do Norte. Impérios mais fortes não conseguiram impedir seu desaparecimento, ao longo da História. Antes da bomba atômica, e de quem se dispusesse a explodi-la. Como Raimundo, que para Drummond era apenas uma rima, jamais uma solução, neste caso sem poesia, o barco perdido (o Planeta) levaria tudo e todos com ele.

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