Sanha contra o sonho

A escalada de violência que parece impor-se em todo o País, nada de bom pode prometer. Menos por se ter transformado em um dos aspectos daquilo a que chamamos normalidade. É fenômeno antigo, muitas vezes posto a serviço dos que odeiam os diferentes. Daí a prevalência dos negros, mulheres, indígenas, gays e, em resumo, pobres, dentre as vítimas da sanha assassina. Tudo piora, quando os arquitetos desse trágico quadro se instalam nos mais poderosos gabinetes da República. Uma coisa é a compreensão das ocorrências, outra é a contribuição para que permaneçam integrando o cotidiano de nossas cidades. Mais grave ainda se torna, com a inclusão dos que as promovem nos quadros administrativos de órgão destinado à defesa, promoção e proteção dos direitos humanos. Pois é lá que trabalha o autor da agressão a uma enfermeira, em recente manifestação contra a democracia, realizada em frente ao Supremo Tribunal Federal. Imaginar que os ensandecidos agressores – aquele, como muitos outros, pertencia a um grupo – respeitarão ao menos o meritório trabalho desempenhado pelos manifestantes equivaleria à absoluta ignorância sobre o Brasil de nossos dias. A trágica normalidade, por mais identificadas sejam suas causas, por mais frustrantes e inconsistentes tenham sido as tentativas de eliminá-las, se são compreendidas, ainda assim não merecem nossa tolerância. Mas têm sido toleradas. Essa a razão para prosperar a escalda atentatória exatamente aos direitos humanos, porque este é conceito a que não estão afeiçoados os agressores como o de sábado, em Brasília, tanto quanto os seus inspiradores e orientadores.

Sempre se haverá de lembrar o poeta Eduardo Alves da Costa* e seu inesquecível poema Nos caminhos com Maiakóvski. Quem quiser pode lê-lo na seção Arpoadas, do Diário de Bordo.

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*O autor refere-se a um relato inspirado pela presença das tropas nazistas de ocupação, na Polônia da Segunda Guerra.

rouba” poema de escritor brasileiro


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