Saber e sabedoria

Quanto mais posta em dúvida, mais a Ciência encontra oportunidades de fazer valer seus resultados. Consequência do empenho de tantos profissionais dedicados à busca do conhecimento, a produção científica reivindica o prestígio de outras formas de conhecimento. Significa dizer da importância e da consideração que a comunidade científica atribui à sabedoria que, não vindo de laboratórios acadêmicos, nem do prolongado retiro em instituições religiosas, concorre para a descoberta, o diagnóstico e o tratamento de problemas enfrentados pela sociedade humana. A pluralidade de aspectos contidos no Universo e suas inter-relações provoca a um só tempo a convergência de conhecimento gerado em várias fontes e sob distintos métodos, com o que o saber individual pode alçar-se à condição de sabedoria coletiva. É finada a fase em que se imaginava a Ciência como um conjunto de regras formuladas com caráter definitivo e imutável. Pode-se até dizer ser todo preceito científico tese a que se chegou obediente ao rigor do método, mas nem por isso considerado eterno. É preciso, porém, elaborar novas hipóteses e prova-las, para que novo saber seja constituído. No âmbito da saúde a experiência é bastante ilustrativa. De tempos em tempos terapias antes recomendadas são substituídas por novas terapias, porque avanços mais recentes o exigiram. Compreensível, portanto, que novas descobertas a respeito do objeto promovam adiante novas alterações, das quais a volta ao uso da substância do passado recupere prestígio, observadas as cautelas necessárias. A história da Ciência é um ir-e-vir permanente.

Ainda agora, a Universidade Federal de Minas Gerais anuncia um passo dos mais significativos na construção do saber, não apenas do conhecimento, dito assim sem maior rodeio. Atribuir o título de notório saber a quem sabe não é favor, mas manifestação de respeito e prestígio aos que têm dedicado a vida à compreensão do Mundo e à superação de problemas, dilemas e dificuldades impostas a cada indivíduo ou a todos, coletivamente. Sem que precise esse benfeitor um dia ter chegado à escola superior. Basta mostrar-se portador daquela sabedoria que também a escola da vida fornece aos que, tendo olhos de ver, ouvidos de ouvir e interesse na vida comum, contribuem, de alguma forma para tornar aprazível e produtiva a vida social.

Membros ilustres das comunidades quilombolas, umbandistas, indígenas serão agraciados com o reconhecimento de seu notório saber, cumpridas as regras estabelecidas pelos órgãos coletivos superiores da UFMG. Oxalá outras instituições congêneres percebam o alcance do gesto e os ventos das Alterosas soprem sobre eles. E baixem!...

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