Saída desonrosa

As mais graves crises nacionais sempre foram resolvidas à base de acordos nem sempre toleráveis pelos que se preocupam com os efeitos sociais dos arranjos. Geralmente, os resultados são distribuídos segundo os padrões da desigualdade que nos acostumamos a cultivar. Não há negar a extrema gravidade da crise que se instalou no País, desde o início de 2019. A pandemia chegou ao Brasil quando se tornava claro o agravamento da crise econômica. Agora, as dúvidas passaram. Já temos certezas. Uma delas, a de que, deixados para trás os momentos mais dramáticos do ataque do coronavírus, nossa economia estará pior. Os produtores não terão interesse nem recompensa pelo que produzirem. O prato que se diz ter acrescentado à mesa dos mais pobres com Lula, deixará a mesa e ainda levará com ele outro prato. Os cofres públicos, privados dos impostos - pela esperada retração da economia, não serão suficientes para atender a todas as demandas, as das empresas combalidas e as da população. Já nem se fale na melhoria dos serviços públicos, açoitada pela fúria privatista em curso. Da população, aos desempregados crônicos que se acumularam sobretudo nos últimos dois anos, serão somados os que foram condenados à informalidade. Expressiva parte destes, como resultado das antirreformas oferecidas como a panaceia que impulsionaria a economia claudicante. As alterações nas leis do trabalho assegurariam a criação de mais empregos, era a promessa. Os números do desemprego aumentaram. Cercada da mesma hipocrisia, apostavam o governo, os ganhadores de dinheiro e os seguidores desinformados de ambos, na antirreforma da previdência. Esta veio e os resultados mostram o crescimento do setor informal. Há quem diga que a pandemia levará esse contingente para cerca de 40 milhões de brasileiros. O Congresso pode aprovar a concessão de esmola mensal para os desempregados e desocupados, estimada em R$ 200,00 por mês. E anuncia R$ 350 bilhões para as empresas. Enfim, o acordão está em curso. Quando a "gripezinha" passar, seria bom acompanhar o balanço das empresas, os bancos em especial. Sem esquecer de fazer uma visita à periferia das cidades. Pode não ser uma saída honrosa. Como pedi-la - e a quem?

1 visualização

Posts recentes

Ver tudo

Revolução à francesa

Ruas próximas á praça da Bastilha, em Paris, transformaram-se em campo de batalha na tarde do último sábado. A manifestação popular tentava impedir a imposição de lei de proteção das forças policiais

Pular o muro não dá

O apego ao cargo ou certo sentido insensato de missão acaba por desmantelar cérebros ou interromper a construção autobiográfica. Às vezes, uma justificando a outra, essas duas condições se juntam e im

Comunhão

Absolutamente inoportuno e infeliz, o anúncio de desobediência às determinações da ANVISA por João Doria denuncia o clima polarizado a que se tem submetido a nação. Difícil aplaudir a bravata do gover

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.