Só agora
- Professor Seráfico

- 29 de jun.
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O réu acusado como organizador, coordenador e líder de organização criminosa para impor uma ditadura no Brasil passou quatro anos apostando na polarização. De um lado, supostos virtuosos cidadãos, fiéis a deuses que cultivam o ódio e promovem a morte dos adversários. Estes, os esquerdistas, radicais comunistas, a petralhada, merecedora da morte. Os mesmos que, do outro lado, deveriam ser mortos, porque para isso bastaria facilitar a produção, o comércio e o porte de armas de fogo. Com esse objetivo, afrouxaram-se os mecanismos de controle e foi mantida intensa propaganda pró-armamento de todos a população. Não faltaram garotos-propaganda, a começar pelo líder deles. O assassinato dos discordantes foi a tônica dos 4 anos de (des)governo, de 2019 a 2022. Além de Marielle Franco e Anderson Gomes, muitos outros brasileiros morreram, sendo que estimadas 200.000 das vítimas tenham tido os riscos trazidos pela COVID-19 acrescentados pela (má e criminosa) conduta dos governantes. A exemplo do então Presidente da República. Não lembro de ter a nefasta participação da autoridade no estabelecimento da polarização, alguma vez criticada pelo Estado. Agora, que Lula, feito refém do que há de pior na política brasileira, tenta contestar a polarização e as chantagens a que se têm submetido, acha aquele porta-voz do atraso e da desigualdade, de destilar maldade e proclamar honestidade e neutralidade jamais exibida. Alega o jornalão que Lula apela para o confronto entre ricos e pobres. Como se esse não fosse, realmente, o maior e mais grave problema brasileiro - a desigualdade. É a realidade que o diz, sendo o propósito manifesto do atual Presidente da República o de simplesmente cumprir um mandamento constitucional inscrito no artigo 3° da chamada Carta Magna. Nem sequer os detratores e falsos catões se dão conta do conteúdo de justiça tributária, pelo menos nas repúblicas que merecem este nome, e nas democracias que não usam armas e chantagens de todo tipo para manter o status quo. A alegação de que só hoje há o confronto entre ricos e pobres vem inspirada pelos mesmos interesses que impediram a taxação do capital improdutivo, do veto ao IOF proposto ao Congresso e de tantas outras medidas. Nenhuma delas, é forçoso dizer, capaz de alterar a realidade de um sistema econômico em que tudo têm preço e está à venda. Mesmo os cérebros, as opiniões, os interesses e o amor.

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