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Símbolo de fé e de esperança

Comemora-se hoje, em Belém do Pará, o 232º Círio de Nazaré. Espetáculo a um só tempo religioso e profano, a maior reunião de féis do Planeta nunca se repete, como não se repete a leitura de um livro. Cada ano que passa, sempre se encontrará uma novidade, tudo dependendo da capacidade de apreender e do sentimento que povoa a cabeça dos participantes do evento - nas ruas, nos templos da Igreja, diante das telas de televisão. Mesmo os que dele não participam é impossível ficarem alheios. Apenas o ambiente social em que o Círio ocorre, antecipado de diversas romarias menores, cada uma destinada a alguns segmentos específicos da sociedade, já bastaria para atestar a grandeza da festa que toma conta da cidade fundada por Francisco Caldeira Castelo Branco, la se vão 409 anos. A multidão que se desloca desde a Igreja Matriz da cidade até a Basílica de Nazaré está ali levada por rica e múltipla motivação. Legítimo imaginar que nem todos têm o mesmo grau de fé na santinha achada pelo caçador Plácido, podendo ocorrer até de alguns não terem qualquer fé. O que não basta para fazê-los menos alegres, felizes e esperançosos - mãos adquirindo ferimentos ao apertar a grossa corda simbólica, ou joelhos dilacerados pela longa caminhada sobre eles, do início ao final do préstito. Se houve um Plácido que encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, ou se não houve, essa dúvida não anula a importância do Círio e da devoção dos que creem, como importa pouco ao agnóstico que escreve estas linhas se Jesus disse o que a ele se atribui, ou tudo não passa de narrativa mítica. A verdade é que, tendo ou não existido, Jesus vive como deus na cabeça dos que nele creem, conseguindo orientar decisões e condutas de muitos deles. Pena que não seja tão firme sua crença nem tão obedientes os crentes! O mesmo digo da santa hoje festejada pelos paraenses e os que visitam a capital do Pará, para manifestarem o agradecimento, o pedido, a prece dirigida a Nossa Senhora de Nazaré. Não é desprezível dizer-se que as festas do Círio constituem momento igual ao Natal de Jesus, para a população do Estado do Pará. Vivamos o Círio e renovemos a promessa que ele instala dentro de cada um de nós!

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