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Rumo à catástrofe

José Alcimar de Oliveira"


O trabalho alienado é a mais cruel maldição produzida pelo sistema do capital. Presidido por essa lógica perversa e desumana, o trabalho adoece, mata e está longe de dignificar o ser humano. Nenhuma jornada de trabalho deveria ser superior a seis horas diárias ou trinta horas semanais. Como escreve Luiz Marques no livro Capitalismo e colapso ambiental: vivemos sob três insustentáveis ilusões: a) a de que é possível um capitalismo sustentável; b) a de que é possível manter um crescimento ilimitado da produção; c) a da afirmação da soberania infinita do antropocentrismo. Nossa Mãe Terra já dá sinais de uma fadiga irreversível. Se as extinções anteriores à presença do homo sapiens (mais demens do que sapiens) foram de gênese natural, a que hoje nos conduz à catástrofe é a primeira produzida pelo ser humano. Segundo Walter Benjamin, o capitalismo não morrerá de morte natural. Pior: a locomotiva que nos arrasta ao abismo não tem freio de mão. Não existem algemas para imobilizar as mãos invisíveis (sempre sujas e suicidárias) do sistema capitalista. Não parece haver saída no horizonte para a pergunta de Lênin: O que fazer? Como manter viva a utopia de um mundo verdadeiramente livre e radicalmente humano?

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José Alcimar de Oliveira, Filosofia / UFAM / Manaus / AM / 10 de outubro de 2024.

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