Retrato 8

A desigualdade - este, sim, nosso grande e principal problema do qual decorrem quase todos os outros - não tem lugar nem hora para mostrar-se. Está em toda parte, ocorre em qualquer lugar. Não falta quem o cultive e reivindique. Manifesta-se na apropriação de bens públicos pelos que se instalam nos cargos oficiais. Espalha-se pela sociedade nas fábricas, no sistema financeiro, nas relações de trabalho, nas relações de poder, na família - é ubíquo. Ora é um magistrado que se põe acima (à margem seria mais bem dito) da Lei e sustenta sentenças com preconceitos, ora é o morador de condomínio de luxo que vê crime ou pecado no pobre que lhe entrega a comida. Manifesta-se, também, quando desembargadores e não-cidadãos afrontam os agentes do Estado. Também pode ocorrer quando uma juíza faz de critérios raciais a base de suas sentenças. Houvesse pena de morte no Brasil, a pandemia nem precisaria fazer o serviço sujo. Nossa desigualdade não é menos suja que os esgotos onde o Presidente da República diz que se banham e depuram os pobres brasileiros.

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