Retrato 11


A pandemia, todos sabem, um dia passará. Desta vez, mais rapidamente do que a gripe chamada espanhola, a maior crise sanitária experimentada dentro do imenso território hostil ao encontro com o futuro, um dia Pindorama, hoje Brasil. Como se o amor à Pátria obrigasse a supor rebatizar a terra da Santa Cruz. Tantas são as vacinas anunciadas contra a covid-19, quantas são as perspectivas de em poucos meses participarmos de filas em busca da imunização. Para muitos, a reconciliação com a Ciência, jamais vilipendiada como nestes sombrios tempos de vírus e vermes. Naturais, os primeiros; produto e causa das desigualdades, os outros. Esta, porém, imagem suficientemente clara, nem por estar sepultada com os quase 145 mil mortos pelo vírus. A outra imagem, obra-prima da desigualdade, não fosse a tela dos televisores, tornou-se emblemática. Até o ponto de, como um axioma, provar-se por si mesma. Ou por expressões ditas em alto e bom som com todas as letras, em espaços públicos assemelhados aos ambientes privados onde medram e de onde se projetam para as ruas. É isso o que me sugerem as escaramuças registradas no Rio de Janeiro e em São Paulo, no final de semana passado. Não são as aparências e as palavras e gestos ali ostentados o cerne da questão, mas suas motivações. Daí a força da frase repetida pelo médico cheirando a álcool em dia de folga, em restaurante dito elegante da capital paulista. Tenho berço, disse o irado gourmand, em linguagem própria à classe social a que pertence, apenas esquecido de que o mais respeitável e reconhecido berço equipava um estábulo, a manjedoura há mais de 20 séculos consagrada. Lamentável, além do que representam os episódios do Leblon e dos Jardins, é a impossibilidade de imunizar quem quer que seja contra a ignorância e a perversidade. A não ser que a educação seja levada a sério. Os tempos não são propícios, porém, a esperar tanto.

A pandemia, todos sabem, um dia passará. Desta vez, mais rapidamente do que a gripe chamada espanhola, a maior crise sanitária experimentada dentro do imenso território hostil ao encontro com o futuro, um dia Pindorama, hoje Brasil. Como se o amor à Pátria obrigasse a supor rebatizar a terra da Santa Cruz. Tantas são as vacinas anunciadas contra a covid-19, quantas são as perspectivas de em poucos meses participarmos de filas em busca da imunização. Para muitos, a reconciliação com a Ciência, jamais vilipendiada como nestes sombrios tempos de vírus e vermes. Naturais, os primeiros; produto e causa das desigualdades, os outros. Esta, porém, imagem suficientemente clara, nem por estar sepultada com os quase 145 mil mortos pelo vírus. A outra imagem, obra-prima da desigualdade, não fosse a tela dos televisores, tornou-se emblemática. Até o ponto de, como um axioma, provar-se por si mesma. Ou por expressões ditas em alto e bom som com todas as letras, em espaços públicos assemelhados aos ambientes privados onde medram e de onde se projetam para as ruas. É isso o que me sugerem as escaramuças registradas no Rio de Janeiro e em São Paulo, no final de semana passado. Não são as aparências e as palavras e gestos ali ostentados o cerne da questão, mas suas motivações. Daí a força da frase repetida pelo médico cheirando a álcool em dia de folga, em restaurante dito elegante da capital paulista. Tenho berço, disse o irado gourmand, em linguagem própria à classe social a que pertence, apenas esquecido de que o mais respeitável e reconhecido berço equipava um estábulo, a manjedoura há mais de 20 séculos consagrada. Lamentável, além do que representam os episódios do Leblon e dos Jardins, é a impossibilidade de imunizar quem quer que seja contra a ignorância e a perversidade. A não ser que a educação seja levada a sério. Os tempos não são propícios, porém, a esperar tanto.

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