Retrato

“Tem um filho da p... querendo invadir minha casa. Esse corno, filho da p… tá achando que ele é o que? Não pise na minha calçada, não pisa na minha rua. Eu vou te chutar na cara. Você é um lixo, seu m... Você pode ser macho na periferia, mas aqui você é um b… aqui é Alphaville , mano”.

“...por favor, Marinho, eu tô te pedindo, traz o (ininteligível) da segurança pública. Eu vô te chutar na cara”.

“Ele ganha mil reais por mês, eu ganho trezentos mil reais por mês...eu quero que ele se f...”

As frases acima foram pronunciadas por um empresário, no ultimo sábado, após agredir a mulher com quem é casado há 20 anos. Tudo isso, na presença de um dos filhos do casal. Mais que a agressão verbal também cometida contra os policiais que atenderam ao chamado da mulher do comerciante ou de vizinhos dela, chama a atenção a visão de mundo de expressiva parcela – se não a grande maioria, de nossas elites. Machista, racista, homofóbica, misógina, a elite brasileira vive época anterior a 1888. O fato ocorrido em Alfaville, São Paulo, não é inédito. Sequer destoa do comportamento típico de uma classe cuja riqueza material é proporcionalmente inversa aos sentimentos e condutas característicos dos animais classificados como humanos. Dispenso-me de abordar cada uma das frases ditas pelo empresário, porque são todas auto-explicativas. Expõem aspectos dos mais graves de nossa sociedade e desnudam as alegações usadas para impedir alteração, a mínima que seja, da desigualdade com que convivemos. Prepotência, arrogância, preconceito, crueldade são as cores do retrato falado, segundo o ricaço de Alfaville. E o palavreado, nada diferente do utilizado na reunião ministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto.

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