top of page

Retórica e prática

Atualizado: 25 de jul. de 2024

O sucessor de Hugo Chávez, dentre as muitas bravatas que costuma promover, anunciou o que ocorreria, caso o opositor viesse a ser eleito para a Presidência da República. “Um banho de sangue” ocorreria, segundo Nicolás Maduro. Esperar dele, mais tosco que seu grande criador e inspirador, um coronel que comandou invasão armada contra o Parlamento venezuelano, é despropósito que só os menos informados podem praticar. A despeito de tudo, em especial das sanções impostas pelos governos dos Estados Unidos da América do Norte àquele país, o golpismo de Hugo Chávez não o impediu de alcançar alguns bons resultados. É o que diz boa parte da população venezuelana, a que preferiu opor-se ao sucessor dele. Outros preferiram buscar guarida em países governados pelos que se orientam segundo as ordens da Casa Branca. Agora, o pronunciamento de Maduro desperta nova onda de protestos, eis que aparece como pretexto para o requentamento de café que vem sendo servido há muito tempo. Dessa bebida se valem os opositores das políticas sociais postas em prática por Chávez e nem sempre mantidas por seu sucessor. Maduro sequer pode manter muitos dos ganhos experimentados pelos compatrícios mais pobres, sujeitos todos ao cerco e às restrições determinadas pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte. O problema que agora tenta comprometer o Presidente da República Bolivariana da Venezuela não atraiu a atenção de muitos observadores. Não chegaram sequer a ser tímidas as análises e referências produzidas, por negligenciarem aspecto importante a comentar.  Menos, ainda, o apetite por estabelecer a necessária comparação. Sem essa conduta, no mínimo recomendável, tudo quanto se disser corresponderá à submissão a terceiros interesses, não aos interesses dos venezuelanos que lá constituem o terceiro estado (como se dizia na França pré-queda da Bastilha), nem aos da sociedade mundial. Os países que têm fronteira com a Venezuela também não se beneficiam dessa omissão, a um só tempo maliciosa e desonesta. Refiro-me ao que ocorreu em janeiro de 2022, quando o Capitólio norte-americano viu frustrado o banho de sangue que a Donald Trump tanto agradaria. Por enquanto, Nicolás Maduro fica no discurso; no caso da reação trumpista, às palavras foram acrescentados atos de extrema violência, dos quais se registra um punhado de mortos. Quisessem as autoridades militares norte-americanas, Trump teria delas o apoio necessário ao banho de sangue com que ele desejava responder à derrota que Joe Biden lhe impôs. Entre o discurso e o fato, somente os tendenciosos e desonestos preferirão dar prevalência à palavra – que compromete a honra da vítima, sem tirar-lhe a vida. O bravateiro sendo punido, enquanto o assassino desfruta da cumplicidade generalizada.

Posts recentes

Ver tudo
O Direito não é à direita

Muito há o que apurar, até que o atentado sofrido pelo atual hóspede da Papudinha seja cabal e definitivamente esclarecido. Não obstante, já se anuncia a repetição da cena ocorrida em Juiz de Fora, em

 
 
 
Pela Verdade e a Justiça

Qual seria a reação da sociedade e de suas lideranças, legítimas ou ilegítimas, se Fernandinho Beira-mar reivindicasse o direito à visita de líderes de outras organizações criminosas? Como se sentiri

 
 
 
Interromper a ação dos quintas-colunas

As ameaças de Trump prosperam, porque em todos os países há aqueles que não têm compromisso com os interesses dos países em que nasceram. Voltados para benefícios de que eles, seus familiares, associa

 
 
 

Comentários


bottom of page