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Restauração em outras bases

Ainda não sei, e duvido que sejam muitos os que o sabem, em que bases será restaurado o conselhão. Antes, chamava-se Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, e se vinculava diretamente ao Presidente da República. Frequentei-o por quase dois anos, na condição de conselheiro-suplente, sendo titular o professor José Carlos Braga, então Secretário de Planejamento do Estado do Amazonas. Buscávamos, como nos informavam os sucessivos Secretários-Executivos (Tarso Genro, depois Jacques Wagner), chegar ao que foi batizado de concertação. Uma espécie de estabelecimento em bases sólidas de um pacto que concorresse para reduzir as desigualdades e superar muitas de suas mais odiosas manifestações - preconceitos, supremacismos, enfim, tudo aquilo a que o ódio conduz. Trajetória que consolidasse a democracia e a fizesse rejeitar qualquer tentativa como a de 08 de janeiro de 2023. O que posso dizer, frequentador assíduo e ativo do CDES, é do quanto ganhei naqueles 20 meses de convivência com o que havia de melhor - e de pior - na sociedade brasileira. Convivi com lideranças estudantis (o Presidente da UNE, por exemplo), religiosas (Dom Demétrio sendo o exemplo), empresariais (Abílio Diniz, Jore Gerdau, Roberto Setúbal, Paulo Vellinho, José Cury etc.) e acadêmicas, dos quais menciono Luiz Fernandes, Pedro Augusto Oliveira e Sônia Fleury. Ouvi palestras de convidados como o professor Carlos Lessa, tanto quanto participei de debates interessantes, pelo que continham de sabedoria e, também, de hipocrisia. O que o celebrado co-autor (o outro era Antônio Castro) de Introdução à Economia propunha especialmente para a Amazônia, e a razão da presença de muitos dos conselheiros apenas quando se abria a oportunidade de ser fotografado junto com o Presidente da República. Essas as oportunidades em que o bem e o mal estiveram presentes. A ausência de Lula diminuía expressivamente o comparecimento de muitos dos conselheiros. Então, esse é motivo suficiente para desejar outro formato e regras mais cuidadosas para o funcionamento do Conselhão restaurado. Também a troca de posição das palavras que anunciam os propósitos do novo Conselho. O social deve anteceder o econômico, desde o nome do coletivo: Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico, portanto é o que advogo, passando à sigla CDSE- Condese, quem sabe? Por último, o equilíbrio entre os grupos de componentes deve ser alcançado, para fugir à prevalência dos representantes da elite, em detrimento dos conselheiros oriundos das camadas mais próximas da base da pirâmide social e econômica do País. Que logo seja restaurado o Conselhão. De minha parte, o orgulho de ter pertencido a uma porção do coletivo anterior, aquela a que o ex-Ministro Jaques apelidou conselhinho. Perguntem a ele, hoje senador, a razão de nos chamar assim.

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