REMINISCÊNCIAS EM TEMPOS DE PANDEMIA

Para meus amigos e minhas amigas


Sinto falta do teu abraço, da tua respiração suave a desgrenhar meus cabelos e teu murmúrio de como vai. Naquelas noites quentes, sinto falta da cerveja gelada, do brinde inicial e da conversa fiada. Já não reconheço os dias e as sextas se converteram em manhãs cinzentas, as tardes sem gente passando e as noites sem o badalar dos sinos da igreja. Como gostaria de ouvir novamente a explosão musical do caldeira e as inconveniências do bebuns quase moribundos.

Sinto falta do teu abraço.

Quero o pitiú do jaraqui da metal e quero ouvir tua voz contando histórias do dia anterior, dos chifres e do sofrimento dos minions. Quero teu sorriso e teu olhar cintilante ao contar do nosso amor, da nossa felicidade de sermos amigos. Quero teu pegar em minhas mãos e te ver falando das belas canções de Chico Buarque.

Sinto muita falta do teu abraço.

Conheço teu jeito, mas quero teu cheiro.

Conheço tua vida, mas quero teu espírito a me revelar sentimentos.

Sinto falta do teu abraço.

Não posso sequer pensar em ficar muito tempo sem tua ternura.

O tempo já nos domina e a saudade bate em meu coração como aqueles primeiros pingos da chuva que caem no telhado de zinco.

Sinto falta do teu abraço.

São quatro horas da manhã. Uma madrugada chuvosa me faz lembrar que logo vai amanhecer e já terei teu abraço. O sol nos espera e logo iremos sentir o calor dos nossos corpos.

Nas noites estaremos em breve e pelas ruas da nossa cidade caminharemos trôpegos à procura de outro bar.

Sinto falta do teu abraço.

No resguardo da vida sinto tua alma e teu acalanto. Estás presente em cada batida do meu coração e com teu sorriso me desmancho em lágrimas de saudade.

Logo tudo vai passar e já não sentirei mais falta do teu abraço.


Lúcio Carril

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