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Reflexão ociosa (?)

11 de jul.
2 min de leitura

Mesmo não sendo totalmente ocioso, o aposentado dispõe de mais tempo para pensar bobagens. Ainda que os dias e as horas de um idoso afastado do trabalho – remunerado, chamemos assim – sejam preenchidas com algumas tarefas que lhe parecem agradáveis, embora gratuitas, sempre haverá alguns segundos, minutos, horas e dias em que ele pode dispor de tempo para refletir sobre assuntos, temas e problemas que não existem, se não para eles mesmos. Essa, uma das maiores vantagens da aposentadoria, a que se entregam os vagabundos, como o aposentado Fernando Henrique Cardoso nos chamava. Em tempos de Copa do Futebol Mundial, pessoas de que não conhecíamos uma só incursão no mundo do futebol acham de ter nele inspiração para escrever. Escreve-se sobre os mais diferentes aspectos dessa modalidade esportiva, alguns até revelando enorme sensibilidade, quando a paixão não está presente. Ora é o desempenho de uma equipe ou jogador posta em xeque; ora é a hesitação do técnico, quando não o suposto equívoco da troca de jogadores durante a partida; ora, ainda, é a atuação dos árbitros a influenciar o resultado da disputa. Este ano, não tem sido diferente. Por isso, tanto há observadores apontando resultados surpreendentes, como a eliminação da Alemanha pelo Paraguai ou do Brasil pela Noruega, como os há interessados em comentar deslises cometidos pelos treinadores ou reiterar restrições ao uso do VAR. Não é qualquer desses pontos que motiva as reflexões que tenho feito, depois da leitura de muito do que tem sido dito e escrito sobre os jogos que se encaminham para a decisão final. Aguçou-me a observação e desafiou meu raciocínio a imagem do goleiro do Marrocos, na tentativa de evitar que o chute de Mbappé entrasse no que os narradores chamam cidadela do apelidado arqueiro. No caso, Maignan. O defensor marroquino aparece de corpo inteiro, em voo lateral, os braços estendidos na direção da bola. Nesta é que ponho minha atenção. Suas cores, o desenho dos traços que ficam visíveis aos jogadores e aos espectadores, dentre os quais jogadores da França e do Marrocos, atraem mais que qualquer outra coisa (ou detalhe) meu olhar. O colorido da esférica (dizem-no os narradores e comentaristas) exerceria alguma influência sobre a visão do goleiro? Sem ser pintor ou crítico da arte de Rafael e Michelangelo, nada posso afirmar. Muito menos disponho de alguma qualificação na área de Psicologia, a ponto de poder afirmar que o atleta ao qual cabe evitar que a bola ultrapasse a linha paralela à trave arrisca ser traído por sensação capaz de reduzir-lhe a capacidade de cumprir bem sua tarefa. Alguns dirão quanto o ócio pode gerar tolas especulações. A outros – quem sabe – poderá parecer que a reflexão sobre o detalhe aqui destacado tem tudo para ser objeto de justa e oportuna reflexão. Ou não?

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