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Rebanhos e sobrevivência

Atualizado: 18 de mai. de 2025

Chama a atenção informação que circula nos meios econômicos: a BRF, recentemente comprada pela Marfrig, lucrou R$ 1,12 bilhões, no primeiro trimestre de 2025. Mais atenção, ainda, a informação de que a compradora alcançou, no mesmo período, lucro de R$ 88 milhões, correspondentes a crescimento de 40.3%, em relação ao exercício anterior. A BRF experimentou acréscimo de 122,7%. A mais pobre comprou a mais rica? Não sei. Que o digam os mágicos da Matemática e da Economia. Junto a essa notícia, auspiciosa para os beneficiários ligados às maiores das produtoras e exportadoras de alimentos, a permanência de bilhões de seres humanos expostos ao risco de serem mortos pela fome. Fenômeno – a abastança e seu mais miserável produto, a fome – compreensível, se levarmos em conta informações geradas, colhidas e repercutidas nos mesmos círculos de atentos leitores. Ficam para trás as alegações de quebra, porque o salário-mínimo foi criado, o 13º salário instituído e a legislação trabalhista posta em vigor. Nenhuma das profecias apocalípticas se cumpriu, mas as alegações e pretextos mantêm-se vivos. Como ocorre agora, com medidas anunciadas pelo governo brasileiro, logo tomadas por populistas, ou seja, benéficas ao que Elio Gaspari chama o andar de baixo.  Qualquer das medidas que se espera e reivindica sejam adotadas com a maior urgência – financiamento para profissionais que se locomovem em motocicletas; novos subsídios para o gás de cozinha; aumento do valor da Bolsa-Família, de R$ 600,00 para R$ 700,00, a partir de janeiro de 2026; novas linhas de crédito para microempreendedores; o uso de hospitais privados, a serem pagos pelo SUS; etc. – sequer alterará expressivamente a distribuição da riqueza nacional. Tudo isso não fará mais que diminuir o déficit dos serviços públicos ou a qualidade deles, quando prestados pelo governo. Mesmo assim, há os que tratam imediatamente de combater as medidas governamentais, como sempre tem ocorrido, ao longo da História. Sem sequer ser levada em conta a euforia de que foi tomada certa parcela dos apostadores na bolsa, em clima de flagrante festia, como registrado pelas mesmas fontes. Euforia provocadora de muita curiosidade, quando a cotação do dólar despenca na maioria dos países. Diante da realidade que se observa e que dispensa o uso de complexos mecanismos tecnológicos, e da trajetória de nossas elites e as relações que elas têm conseguido impor a sucessivos governos, é inevitável repetir: se o problema da desigualdade e das consequências que ela determina estiverem fora da discussão, melhor também é fecharem-se todos os cursos de Economia, em todos os lugares do Mundo. Prioritário, repita-se, é discutir a realidade com a qual convivemos – e não só no Brasil. Mais aumenta o PIB, mais grave se torna a distância entre os que tudo têm e tudo impõem, relativamente aos que morrem de fome e de doenças que dependem apenas de bons serviços para manter saudável o rebanho humano. O outro, sabem todos, vai muito bem, obrigado.

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