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QUEM É CONTRA O POLITICAMENTE CORRETO?

Lúcio Carril*

Vejo com perplexidade a desfaçatez de muita gente alfabetizada em atribuir ao "politicamente correto" uma forma autoritária de imposição do discurso e da prática. Mas não perdura meu estranhamento quando reconheço o que se esconde por trás do debate.

Podemos dizer que Politicamente Correto é toda conduta que busca estabelecer uma relação de respeito entre os individuos numa sociedade, reconhecendo suas diferenças e primando pelo pleno desenvolvimento das suas humanidades.

Neste sentido, não só o termo como a prática incomoda quem se põe na contramão do preconceito, do racismo, da misoginia e toda conduta desumana. O Politicamente Correto é combatido em defesa daquilo que é social e humanamente reprovável, seja por uma prática preconceituosa ou por um discurso que reproduz essa prática.

É possível, também, abstrair do termo e de suas conexões de ação que a Política está posta de acordo com a máxima aristotélica de que todo indivíduo é um animal político. Aqui o Político é uma prática social e não exclusivamente do Estado, como séculos depois definiu Maquiavel. Não se indica o Politicamente Correto a conduta voltada para o poder, seu exercício e conquista, mas para as condutas socialmente reconhecidas.

É óbvio que rechaço os absurdos e o equívoco em cunhar como Politicamente Correto aquilo que não tem importância coletiva, como também rechaço o interesse em tornar o termo objeto de ironia descabida.

É melhor criar boas práticas de respeito e tolerância do que reproduzir aquilo que fez este mundo um habitat de apequenamento do ser humano.

* Lúcio Carril é sociólogo, pós graduado em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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