Quando chegará o dia?

O surrealismo político coloca-nos em confronto com verdadeiros desafios. Muito se debate e escreve sobre supostas falcatruas cometidas por agentes públicos, deste e daquele governo. A corrupção e os desrespeitos aos direitos humanos são praticados aqui e acolá, sem que se conheçam resultados palpáveis de muitos do que foi apurado deles. Especialmente a aplicação das penas que a Lei prevê. Tudo parece resumir-se à célebre sentença de Aparício Torelly, o barão de Itararé: Ou se instaura a moralidade, ou todos se locupletem. Assim, corre o tempo e estancam onde quer que seja as medidas geralmente anunciadas como moralizadoras. Ora em prateleiras do Poder Judiciário, ora em gavetas dos órgãos policiais, ora ainda em bem cuidados gabinetes. Nada melhor que um dia após o outro, diziam os antigos. Com uma noite pelo meio, acrescentavam outros. Pois é na noite que os grandes males costumam ser cometidos. Às vezes, como se tem sabido, contra os beneficiários dos atos maléficos originais.

Por isso, a descoberta de falcatruas envolvendo dinheiro público e outras, assassinatos inclusive, ocorrem porque os associados de ontem divergem, quase sempre pela discussão sobre a divisão do butim. Tem sido assim ao longo da História, o hoje não o desmente.

Os episódios que justificaram a Lava Jato vêm à tona e hoje pouco resta da suposta boa intenção dos que a deflagraram, dirigiram, influenciaram e utilizaram em benefício próprio. Dos que entendem ter havido delitos a apurar na Petrobrás, tantos quantos os há nestes tumultuados dias, vejo ruir reputações construídas à sombra (ponha sombra nisso!) das ilicitudes executadas, patrocinadas, orientadas, estimuladas e reiteradas por muitas das personagens a que os grandes órgãos de comunicação deram cobertura. A lamentar em tudo isso, o aplauso irracional de boa parte da população, notadamente de pessoas que, a rigor, não poderiam passar pela porta de qualquer delegacia de polícia, para não serem presas. O dia delas chegará?


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