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Puxadinho em ruínas

O loteamento do Estado como forma de atrair o centrão e formar maioria no Congresso não parece prometer melhores dias para o governo. A transformação de Câmara e Senado em puxadinhos do Palácio do Planalto não depende só da vontade do Presidente, nem da suficiência de verbas e cargos para retribuir a formação da base. Há palavra aplicável à operação comandada pelo próprio Presidente da República também usada para referir-se a outro objeto. Venda, na linguagem comercial, tem um sentido. Quando aplicada à capacidade de percepção dos indivíduos, assume significado diferente. Na aproximação do governo com o grupo de notórios parlamentares permanentemente expostos ao mercado, a possibilidade de êxito vincula-se apenas ao preço combinado e aos resultados de seu pagamento, em verbas e cargos. Desse ponto de vista, tudo parecia vir correndo segundo as expectativas, de um e outro lado. Quando se observa o outro significado, porém, as coisas começam a complicar-se. As vendas evitam quem as usa de enxergar adequadamente o que quer que esteja diante do observador. Perto ou longe, o objeto precisa ser claramente percebido, antes que a respeito dele se diga alguma coisa, se emita um juízo ou, no mínimo, se o descreva. Imagine-se o efeito de um olhar prejudicado pela venda, antes da tomada de decisão! Nesse sentido, seria exigir demais do Presidente da República. Os quase trinta anos passados no Congresso não comprovam outra coisa, se não absolutas incompetência e inapetência para o exercício de qualquer mandato popular. Hoje, ele não apenas é primus inter pares, porque por motivos constitucionais, está um grau político acima deles, individualmente considerados. Coletivamente, vistos como o Poder a que se subordinam, é par inter pares. O objetivo da operação por ele comandada, assim, não assegura vida tranquila e despreocupada, porque o comissário do Executivo instalou-se na cúpula do outro poder. Lira não é O Poder, mas seu transitório dirigente. Nem cada deputado se confunde com o coletivo deles. E em 2022 haverá nova eleição, inclusive para o Legislativo. O Presidente Arthur Lira também sabe disso. Como o sabem todos os 513 colegas. E como sabem!...

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