Prisão e aprendizado

Rejeito o ódio com que boa parte dos brasileiros trata o ex-Presidente Lula. Com igual força, repudio o comportamento por ele assumido, no que pensa ser efetivo combate às misérias humanas que o levaram à prisão. Não ignoro as ilegalidades cometidas contra ele, nem a influência dos crimes praticados por seus adversários. Antes, durante e depois da campanha eleitoral. Isso não me faz cego às práticas do ex-Presidente, nem me autoriza aceitar a forma como se tem conduzido, desde que devolvida sua liberdade. Admissível (louvável, jamais!) até algum excesso verbal, no primeiro reencontro público com seus apoiadores. Tão fanáticos quanto os de Bolsonaro - é bom sempre lembrar. Manter o fácies rancoroso e aceitar sua peremptória recusa à autocrítica, porém, em nada ajuda a superar os padecimentos a que está entregue o povo brasileiro. Por mais que o diga, o "Lula paz e amor" proclamado não corresponde à conduta manifesta do ex-líder operário. Ainda mais quando a arrogância extravasa por todos os poros do ex-Presidente. Se dermos atenção aos fatos, alguns distantes das páginas dos jornais e do foco das câmeras, compreenderemos melhor o cenário político do País. A eleição da senadora Gleisi Hofmann para presidir o Partido dos Trabalhadores e a tendência do PT no Rio Grande do Sul deixam à mostra os conflitos internos que a legenda vivenciará, no futuro próximo. Com os riscos de reacender o ódio e a polarização entre um e outro dos líderes mais ostensivos - Luís Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Embora só este traga no próprio nome a insinuação de seu papel salvacionistas, o outro não o tem menor. E isso não ajuda a fortalecer a democracia, de modo a blinda-la (vá lá o termo da moda!)contra a ofensiva, cada dia maior. Infelizmente, a verdadeira guerra se tem travado à revelia dos 57 milhões de eleitores que puseram Bolsonaro no Planalto e dos que, tendo ideais e propostas sérias na cabeça, acabaram vencidos pelos que apenas portam bandeirolas e repetem palavras de ordem, gastas e desacreditadas.

Mandela, Graciliano Ramos, Gramsci, Fidel e tantos outros mostraram quanto a prisão lhes ensinou. Por que a liberdade de Lula não consegue mostrar um só sinal de avanço em sua concepção política? Logo ele, sabidamente arguto e perspicaz!

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