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O Planeta todo sabe, esteja onde estiver um só ser humano. O império precisa armar-se, sob pena de desconstituírem-se, esvaziarem-se, desmancharem-se no ar toda sua solidez e arrogância. Onde quer que o ódio tome o lugar do amor, a arma substitua o argumento, a ganância se oponha ao convívio fraterno, de lá pouco ou nada se pode esperar. Se não a prosperidade dos que se alimentam do ódio, à Vida e aos outros seres vivos. Dai vem a violência que mata por mil razões ou sem necessidade de alguma que a pretexte. Bem de consumo da preferência dos cultores da morte e da Vida de terceiros, as armas de fogo fazem de Caronte seus sócios, das valquírias e de cérberos bípedes seus tragicamente alegres serviçais. Como se estivesse instalado o inferno da literatura em terras do Novo Mundo. Aquelas mesmas que embalaram os sonhos de cabeças coroadas do outro, não o mitológico Hades, mas aquele lugar onde Santa Maria, Pinta e Niña, depois o Mayflower aportaram. É desse último porto que vem a notícia, desgraçadamente sem nenhuma originalidade. Apenas constatação do que mais habitual e corriqueiro escolhe a nação mais armada e opulenta ao desperdício para mostrar a quanto alcançam o egoísmo, a ganância, a avareza e a crueldade delas resultantes. Decorridos 135 dias do ano de 2022, pós-inicial da segunda década do terceiro milênio, contam-se já 198 os tiroteios em massa, como já os chamam os media, nos Estados Unidos da América do Norte. À exploração e à submissão impostas sobre extensa porção do Mundo, seus territórios e seus povos, acrescenta-se a trajetória dos descendentes dos chamados (ironia das ironias) os primeiros peregrinos, os pais-fundadores - 198 chacinas, matança em massa, como dito naquelas bandas de Mundo onde tudo parece grandioso. Da solidariedade dos que se tornam generosos graças ao sangue de terceiros - seja em seus próprios territórios, onde nem presidentes da República ou pessoas negras escapam a trágico destino; seja em terras distantes, destino das armas construtoras das riquezas, em compensação à destruição de lugares e vidas para onde são mandados os jovens armados, em proporção correspondente ao desamor a eles votado. Armar parece ter mais força que amar. Sendo que do Amor se pode obter um Mundo em paz. Mas a quem interessa a Paz - se ela não assegura acumulação aquecida ao fogo saído da boca de um canhão, do minúsculo projétil de um revólver? Ou despejado sobre cidades como Nagasaki e Hiroshima, de um avião cujo nome - Enola Gay - parece zombar, dos povos, das vitimas pessoais da tragédia e do próprio instituto da maternidade: Enola Gay Tebetts chamava-se a mãe do piloto que escolheu aquele transporte da Maldita.

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