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Prós e contras do relator

Sem dúvida, a escolha do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para a relatoria da reforma tributária dá motivo de orgulho e esperança para a Amazônia, em especial para os habitantes da área a que corresponde a zona franca. Ninguém discordará das vantagens dessa escolha, sobretudo em termos da manutenção dos favores fiscais que alimentam o Polo Industrial de Manaus- PIM. Isso não basta para tornar menores os percalços a serem enfrentados pelo relator, tamanha a complexidade do problema sobre o qual ele se debruçará. Se, de um lado, Eduardo Braga tem experiência política e empresarial, nem por isso se pode garantir que fará tudo o que lhe passa pela cabeça, em relação a problema de que ele acumula enorme conhecimento. Certamente, vontade não lhe faltará. As dúvidas a respeito de que o conseguirá provêm também da experiência, remota ou recente. Que os favores oferecidos aos empresários amazonenses são uma fonte de inspiração, nem se duvide! Mas Braga não esquecerá as dificuldades e constrangimentos que têm marcado a existência da zona franca de Manaus. Os interesses divergentes engendraram uma forma de relacionamento hostil entre as unidades federativas, da Amazônia e de fora dela, gerando competição em alto grau, a ponto de ser chamado guerra fiscal. Mas não é apenas fora de Manaus, do Amazonas e da Amazônia que estão os óbices e fatores de preocupação. A reforma recebida pelo Senado registra um voto contra de representante amazonense. O capitão Alberto foi o único dos parlamentares amazonenses a rejeitar o projeto. Fora do ambiente parlamentar estão as lideranças que, ignorantes (propositais ou não) do que ocorre no Mundo, querem mais que os 30 anos restantes para vencer o prazo constitucional que protege a zona franca. Dentre os reiterados manifestantes pela pura e simples prorrogação dos sucessivos prazos, está o próprio governador do Estado. Foi dele a declaração de que não se deve buscar a mudança da matriz econômica do Estado. Um comodismo ameaçador, a dificultar a busca de acordos e negociações favoráveis à região. O que poderíamos chamar suicídio político-econômico, inajustável ao processo mundial. Disso - espero - o senador Eduardo Braga - tem plena e lúcida consciência. A favor dele, e além da experiência e do conhecimento que tem, ele conta com a crescente importância do Brasil no cenário mundial. Mesmo que se negue relevo (porque acidental, não proposital) à preservação da maior floresta úmida do Planeta, que se vem atribuindo à ZFM, o peso que a Amazônia passou a ter, e que justifica a COP-25 em Belém, traz um fator de peso ao debate. Aproveitar e amplificar as variáveis favoráveis e neutralizar as hostilidades compreensíveis que comprometem a economia regional constitui o núcleo das preocupações do senador amazonense.



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