POR UMA POLÍTICA HUMANIZANTE

Perdi muitos amigos no processo político. Talvez me tenha faltado alma, espírito ou simplesmente sensibilidade. Já não procuro o erro no outro, pois isto não me ajudaria a reconhecer minhas próprias limitações. Não acredito que a politica seja seletiva; pelo contrário, deve ser agregadora e coletiva. E por que a perda? Nossa incapacidade de construir relações humanas na política, uma herança maquiavélica que limitou a ação política à busca sem ética pelo poder. Mas não deveria ser assim, se a política continuasse a ser parte cotidiana das relações humanas e sociais, como queria Aristóteles.

Esta coisificação da política inundou todas nossas relações, inclusive a esquerda, que deveria resistir a este projeto e terminou por reproduzir os mesmos estereótipos. Se a política foi desumanizada num campo que deveria resistir, imagina nos estratos sociais mais atacados pela barbárie. Neles, a política é feita como extravasamento de tudo que não é humano, dando espaço às piores expressões de sentimentos. A política como coisa e a barbárie se encontram numa linha tênue.

É preciso resistir fazendo política como parte da construção de nossas vidas e não somente como objeto de poder. Isto não ignora a disputa e não elimina a perda, já que muitos insistirão na política como coisa e como espaço da ação sem ética.

A ética na política só será possível quando esta for humanizada.


Lúcio Carril

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