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Por Esculápio, Hipócrates e Ana Nery

Desta vez, o Conselho Federal de Medicina acerta. Enquanto os que, fazendo da educação médica não mais que um bem venal, lançam no mercado de trabalho pessoas indignas de merecer um diploma. O órgão regulador do exercício profissional opõe-se à concessão do direito de prescrever medicamentos aos profissionais da enfermagem. E o fazem, aí sim, em benefício da saúde da população. São diferentes entre si os currículos percorridos pelos futuros profissionais da Medicina e da Enfermagem. Tal diferença não é somente do grau de aprofundamento do conteúdo de cada curso, eis que há disciplinas exigidas dos alunos de cursos médicos que não constam da grade curricular dos futuros enfermeiros. Tanto quanto certos procedimentos são mais bem aprendidos por estes, em relação aos médicos, os discípulos de Hipócrates e Esculápio extrapolam a dimensão meramente técnica envolvida no tratamento do paciente. Necessariamente, pelo menos nos bons cursos de Medicina, a percepção do organismo humano em sua integridade há de ser levada a distância inexigível dos diplomados no outro curso. Sem que isso importe na hierarquização de suas respectivas ações profissionais. Apenas uma diferença imposta pela natureza e complexidade específicas dessas duas áreas de conhecimento e exercício profissional. Óbvio que não tratamos aqui das faculdades de Medicina recentemente avaliadas pelo INEP Anísio Teixeira, cujo desempenho constitui prova cabal dos prejuízos decorrentes da mercantilização da Medicina. Daí esperar-se o engajamento do CFM nas atividades anunciadas pelo Ministérios da Educação e da Saúde, para corrigir as deficiências registradas nos cursos reprovados, impedir a repetição de mortes atribuíveis à má formação dos médicos e eliminar a percepção do exercício da medicina como oportunidade exclusiva de ganhar dinheiro. Hipócrates e Esculápio, com certeza, agradeceriam.


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