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Política e moral

Política e moral são antípodas? Ou, em outros termos, são conceitos absolutamente incompatíveis, impossiveis de conviver em paz? Uma sendo necessariamente excludente da outra? Se a resposta a essas intrigantes perguntas for positiva, admitiremos o acerto e a legitimidade das declarações e das ações de Donald Trump. E, em consequência, todos seríamos forçados a alterar conceitos e condutas referentes (reverentes, também) à democracia. Ao contrário, a crítica e a condenação do soba norte-americano teria fundamento no que a comunidade internacional considera valores indissociáveis e irrenunciáveis da democracia. O fato de ser considerado o homem mais poderoso do Planeta, nem por isso atribui a Donald Trump o direito de intervir em outras nações, como tem sido sua conduta recorrente, neste segundo malfadado mandato. Se, pela personalidade, convicção e hábitos ele se mostra uma ameaça à segurança, à paz e a vida de todos os terráqueos, depender dele a repetição de Nagasaki e Hiroshima o torna ainda mais perigoso. Talvez o mais explicitamente belicoso de quantos chegaram à Casa Branca, Donald Trump exerce a Presidência como se lhe pesassem sobre os ombros o peso de responsabilidade e prerrogativas de que ninguém pode desfrutar. Definitivamente, Trump não é o dono do mundo, ainda que a detonação de outra bomba atômica esteja ao seu alcance. Pena, porém, não serem poucos os seguidores e discípulos do suposto imperador. Aqueles que exercem, dentre tantos outros direitos dos seres humanos, o de deixar-se subjugar e admitir e louvar a própria indignidade. Muitos dos quais se acham mais espertos que as pessoas comuns e conduzem sua vida pela mais abjeta servidão voluntária. Dentre os mais reputados valores em que se alicerçam as relações humanas, destacam-se os correspondentes à democracia. Os que a cultivam, defendem e respeitam serão os únicos a melhorar o Planeta e livrar seus habitantes da destruição que Donald Trump não cessa de perseguir.


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