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Política e conversa

Há quem prefira a violência como forma de resolução de conflitos. Para esses, argumentos e razões não contam. Mais fácil é o uso da força, de que se nutre toda e qualquer ditadura. Permito-me discordar desses, aqui e acolá alimentando variados graus do mais genuíno asco. Por isso, não me surpreendem nem me agridem os esforços ainda não totalmente ostensivos, de salvar a cara do ex-capitão tornado inelegível, ora sob a ameaça de prisão. Nem posso ignorar o medo repetidamente revelado de ele sofrer os constrangimentos decorrentes da inevitável persecução judicial. Algo substancialmente diferente da perseguição política reiteradamente alegada. Também nada sei que possa invalidar o devido processo legal em curso, tendo o inelegível como alvo. Menos ainda, me ocorre de negar ao indiciado o direito à mais ampla defesa. Porque isso não foi feito em outros momentos e em relação a outros processos ilegalmente conduzidos, a pretensa correção dos erros viu-se desmoralizada. Moro e moral, Moro e Direito distam tanto quanto Terra de Júpiter, se não mais... Volto ao ponto central deste comentário, para dizer quanto agrada ao democrata por convicção, não por mesquinho interesse, ver a grei que acompanha o ex-capitão empenhada em evitar o destino comum aos delinquentes. Ou seja, a prisão que muitos dizem já devida e legalmente justificada. Pelo menos, nesse quadro de entendimento não cabe simular armas com as mãos e defender a matança de uns trinta mil, a começar de FHC. Nem vejo despropositado assegurar exílio ao indiciado, antes que ele tente simplesmente fugir para outro país, mesmo - talvez sobretudo por isso - se ele tem a ver com a fuga de outros delinquentes. A pena maior que se pode impor a um monoglota será condená-lo ao silêncio. Quem sabe garantindo sua transferência e permanência vitalícia em qualquer das Coreias ou na Rússia?

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