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Poder sem pudor

Deplorável o clima de desconfiança que se consolida gradativamente na sociedade brasileira. De tal sorte, que parece ingênuo tudo e todo o que se mostra disposto a desafiar a desconfiança generalizada. Ainda agora, as autoridades do Ministério da Justiça enredam-se em trama tão perversa quanto destituída da mínima condição de humanidade. Se há um setor que quanto mais aberto e acessível do serviço público existe, o que se relaciona à Justiça certamente ocuparia posição prioritária. Menos por suposta superioridade dos seus integrantes, que pela profunda desigualdade em que vivemos. Em razão dessa desigualdade profunda, a perversidade de alguns tenta envolver as autoridades, muitas vezes ignorando propositalmente as condições reais em que os fatos ocorrem. O suposto encontro do Ministro Flávio Dino com pessoas influentes no tráfico de drogas é a mentira da vez. Também o é a circunstância de que a indicação da visitante do MJ se fez por autoridades amazonenses. Destas, não há uma só notícia. Aos mentirosos o que interessa é evitar que Dino seja indicado para o STF. Esse o limão que Lula pode transformar em doce e saudável limonada, se é sincero seu propósito de levar o senador licenciado para o posto na mais alta corte de Justiça. A limonada consiste em mantê-lo no posto, avalizar e prestigiar sua ação e o crescente rigor necessário ao enfrentamento do crime organizado. Essa, entendo, a missão prioritária, por necessário e urgente o efetivo combate à criminalidade, em especial a que usa mandatos como esconderijo. Ninguém diz, por exemplo, que a comissão indicada para evento federal visitou também a Câmara dos Deputados. Será Arthur Lira, o Presidente daquela causa, envolvido com as drogas, como os maliciosos dizem de Dino? Há pesadas e fundadas suspeitas de que outros, até por parentesco, estão mais próximos do crime organizado. Ou o que o jornalista Merval Pereira, em momento de lucidez, chama de luta sem pudor pelo poder deve ser aplaudido?

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