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Plágio é o de menos

Quem nos dera fosse apenas o plágio a marcar o atual período de nossa história! Institucionalizar esse mau costume e fazer dele trunfo eleiçoeiro parece-me de gravidade maior que a imitação imperdoável na academia. Que será o Renda Cidadã, comparado com o Bolsa-Família? Nem por isso deve ser condenado, mesmo se sabidamente orientado para a renovação do mandato presidencial. Para os que não ganham o que seria justo receber em troca do trabalho, é imitação, mas imitação benfazeja. A mesma conduta, se registrada no ambiente acadêmico, constituiria inadmissível ofensa à instituição. Sem isso, como admitir séria e respeitável a academia? Não é esse o caso que envolve o desembargador do TRF-1 indicado pelo Presidente da República para a vaga aberta pela aposentadoria do Ministro Celso de Mello. Se comparado às mentiras constantes no currículo do interessado, o pecado do plágio nem deve ser levado em consideração. Até porque valorizar esse aspecto contradiria toda a lógica de um governo hostil à Ciência e agressor da Cultura. Em Kássio Nunes Marques não choca a fragilidade do currículo, porque tal circunstância não o fará diferente de alguns de seus potenciais pares, caso chegue ao Supremo Tribunal Federal. Bastaria ao desembargador piauiense não ter sido reprovado em algum concurso público para provar-se melhor. Ao invés de discutirmos essas questões de somenos, deveríamos centrar nossas atenções e reunir esforços para remover as causas que consolidam e aprofundam a submissão dos demais poderes ao Executivo. O autoritarismo que alguns dizem herança de longa tradição histórica acaba poluindo o texto da Constituição e preservando esse traço indesejável em qualquer república merecedora deste nome. Alterar o processo de preenchimento das cadeiras do STF, de modo a evidenciar a independência dos poderes parece-me indispensável e intransferível.

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