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Pessimismo incompreensível

A consumação do acordo entre o MercoSul e a União Europeia foi vista pelas lideranças empresariais brasileiras como passo importante no incremento das exportações e importações para aquele e daquele mercado. A maioria dos líderes das classes ditas produtivas manifestou suas esperanças, obviamente alimentadas pelo sonho de lucrar cada dia mais. Se o mal do lucro não se encontra nele mesmo, mas no uso que dele se tem feito, a hesitação que se vê nas mais recentes manifestações de representantes dos negócios mais lucrativos do Polo Industrial de Manaus - PIM traz, ao menos, certo sinal de desânimo. Inicialmente, alardeavam-se novas oportunidades de crescimento das exportações, com a conquista de mercados ainda não devidamente explorados. A forma como o governo brasileiro tornou praticamente nulo o tarifaço imposto por Donald Trump parecia animar o empresariado a fazer o mesmo - ir em busca de clientes fora do diminuto círculo para os quais eram mandados os produtos elaborados ou montados em Manaus. Ao invés de seguir a romaria de sempre, em busca de favores oficiais, pensava-se que a resposta do governo estimularia o setor produtivo a colocar suas atenção e energia no mesmo sentido. Com uma vantagem, a de se aproveitar dos recursos que rios, subsolo e floresta oferecem com abundância. O que representaria o aproveitamento de matérias-primas raras ou inexistentes em outros países. Parte dos lucros acumulados nestes quase 60 anos de zona franca bastariam para diversificar a produção, tanto quanto benefíciar as populações amazônicas, em razão da criação de empregos, do pagamento de salários dignos e da arrecadação de tributos. Nem se fale das divisas que entrariam por essa via. Esse, porém, parece sonho substituído pela cantilena de sempre, quase o anúncio de que em 2073 novamente estarão os que sucederem a minha e mais a seguinte gerações, empenhados em prorrogar a zona franca. Dê-se legitimidade aos que se opõem ao governo e desejavam vê-lo substituído. Esta, possibilidade direta e intimamente ligado à vigência da democracia. Quando, contudo, tal oposição prejudica o País e seu povo, aí não se está diante de um fenômeno democrático. Ao contrário disso. estamos frente à pior posição que o egoísmo cobra dos que o ostentam. Egoísmo e democracia, convenhamos, não rimam.

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