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Percepção miserável, visão mesquinha

Muita coisa tem sido dita pelos políticos, mesmo aqueles que dizem detestar a política. Os que fazem do exercício daquilo que Aristóteles dizia constituir a essência do ser humano, a profissão mais rentável do Planeta. Por isso, nas casas legislativas, do Brasil ao menos, qualquer dificuldade que impeça um dos representantes ditos (apenas ditos) populares de defender seus pontos de vista, ele logo atribui ao opositor mero interesse político. Ou seja, a casa onde a Política deve ser exercida em toda sua extensão e permanentemente, é avessa à Política. Seria demasiada ingenuidade, porém, admitir que onde há bancadas do boi, da bala, da Bíblia e outras de igual calibre, fosse possível levar ao nível exigido pelo parlamento percepção diferente. Não é diferente, quando tratamos do papel desempenhado pelo Poder Executivo. A visão de mundo dos que o detêm não está livre desses vícios, às vezes produto da ignorância; outras, das intenções ocultas dos que o exercem. O fluminense que governa São Paulo, por exemplo, não vê relevância na educação, reputada uma das funções mais importantes do Estado moderno. Fosse diferente sua percepção, ele jamais diria que o diploma cada vez tem menos relevância. Não bastasse essa manifestação de desprezo pela educação, Tarcísio de Freitas acrescenta outro conceito revelador de suas limitações intelectuais. As palavras complementares do pretenso candidato à herança política de seu ídolo fortalecem a hostilidade do seu juízo e a limitação de sua capacidade interpretativa. Segundo Tarcísio, o mercado está cada vez mais desapegado do diploma. Ou seja, a educação tem como finalidade submeter-se à fome voraz daquele ente que se tenta fazer passar por sobrenatural (divino, quem sabe), mas tem cpf, cnpj, endereço e whatsapp. Essas expressões, contudo, não são ditas ao léu, nem estão fora do contexto. Revelam, apenas

(e não é pouco!) a visão limitada de um político que se nega como tal e amesquinha o que todo indivíduo minimamente informado e civilizado reconhece: sem educação, o que restaria de civilização? Quem chama a atenção para as declarações do fluminense que governa São Paulo é o médico Nélson Saas, ex-diretor da Escola Paulista de Medicina e ex-reitor da UNIFESP.

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