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Pelo menos a data é a mesma

Anuncia-me a Editora Scortecci a conclusão dos trabalhos de edição de Nada é (nem será) tão feio, minha mais recente tentativa no aprendizado da Poesia. Obra composta por quatro mãos e (suponho) milhões de cabeças, trata de uma das piores criações de que o ser dito humano é capaz - a guerra. Sobretudo pelo horror em que o conflito bélico se constitui, a decisão de organiza-lo, mais que o escrever, foi a razão de tê-lo feito. De original, enchi poucas páginas, um texto explicativo e um poema final. No primeiro, os leitores sentirão registrado o impacto que As últimas testemunhas, de Svetlana Aleksiévitch exerceu sobre mim. Lá tudo isso é esclarecido, pois as páginas da obra editada pela Companhia das Letras no Brasil foram uma espécie de mina e fonte onde lancei bateias e cavouquei . Nelas transportei as pedras preciosas colhidas, depois e por trabalho meu, pondo-as nas minhas próprias cestas, capítulos tecidos segundo algum fio condutor. O risco de tê-lo feito bem - a escolha das gemas, a organização capitular, a titulação de cada conjunto delas - é todo meu. Assim, quem passe os olhos nos capítulos (Amor, Horror, Infância, Fome, Compaixão, Memória, Poesia) não terá nenhuma dúvida a propósito da motivação, dos sentimentos e dos anseios de quem elaborou o trabalho. No final, Pós-Facto traz poema (Para continuar vivendo) assinado pelo que assina o livro, cujo prefácio vale por si só. Nele, o Professor de Teoria Literária e crítico dos quadros da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Márcio Seligmann-Silva traz mais uma de suas serenas e firmes contribuições à interpretação e compreensão das tragédias bélicas de que tem tratado com tanta competência e sentimento. Faço este registro no Dia Mundial do Livro, também em reverência e homenagem às duas das maiores figuras da literatura universal que justificam, por seu nascimento, a homenagem da Organização das Nações Unidas - Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Pelo menos uma coisa eles têm a ver comigo: nascemos os três na mesma data. A distância entre nós, porém, não é de época, nem de geografia, mas de talento. A mim, porém, já basta o vir-ao-mundo no mesmo dia.

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