Partido Comunista da Rússia / U. S. - Parte II - (31/05/2018)

Orlando Sampaio Silva

Como vimos na Parte I deste artigo, Lenin assumiu a função de Presidente do Conselho de Comissários do Povo da Rússia, ou seja, Presidente do país, em 08/11/1917, e ficou nessa posição na hierarquia do poder até que, com a fundação da URSS, em 30/12/1922, o revolucionário russo passou a ser o Presidente do novo Estado multinacional - a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Vladimir Lenin foi Presidente até o advento de sua morte, em 21/01/1924.

Entre os três principais dirigentes revolucionários da Revolução Russa - Lenin, Trotsky e Stalin - Vladimir Lenin era o grande líder, o chefe inconteste, a figura simbólica do teórico e revolucionário comunista. Daí a sua posição de Presidente. Trotsky chefiava o Exército Vermelho e assumiu o Ministério das Relações Exteriores; Josef Stalin era o Secretário-Geral do PCUS, posição que manteve até sua morte, em 1953. A função de Secretário-Geral do Partido Comunista da URSS foi instituída em 1922, sendo que Stalin foi o primeiro revolucionário a ocupá-la. Lenin preferia que Trotsky ocupasse essa importante função, porém, doente, não teve força para contrapor-se a Stalin, que a assumiu. A palavra "Stalin", apelido adotado oficialmente por este antigo seminarista ortodoxo na Geórgia, significa "aço" - símbolo da solidez e da força - em idioma russo.

Lenin teve um primeiro derrame cerebral em maio de 1922. Entre este ano (1922) e 1924, Lenin sofreu quatro derrames cerebrais, vindo a falecer, a 21 de janeiro deste último ano, vitimado, possivelmente, por um infarto, conforme a versão oficial. Lenin rompeu relações pessoais com Stalin em seu último escrito antes de morrer. Durante a longa doença de Lenin, Stalin teria sugerido a Trotsky, Zinoviev e Kamenev (o Politiburo do PCUS), que dessem a Lenin um pequeno frasco contendo veneno para que ele o usasse contra sua própria vida quando e se assim decidisse. Trotsky acusou Stalin de ser o responsável pela morte de Lenin, por envenenamento, conforme artigo que foi publicado, em 21/8/1940, na revista norte-americana Liberty (cf. Cynira Menezes, no jornal virtual Socialista Morena - Jornalismo Anticapitalista, 08/4/2015). Afinal, a causa mortis de Lenin se encontra na dúvida do passado histórico, no qual encontram-se aventadas as seguintes hipóteses etiológicas: morte por causa natural - por infarto, ou por derrame cerebral ou como vítima da sífilis; a outra possibilidade, não natural, é o envenenamento. Lenin faleceu aos 54 anos de idade.

Depois de Lenin, foram Presidentes da URSS:

- Aleksei I. Rykov: 02/02/1924 a 19/12/1930;

- Viatcheslav Mikhailovich Molotov: 19/12/1930 a 06/5/1941, e

- Iosif Vissorionovich Stalin: 06/5/1941 a 15/3/1946.

Como se pode perceber, aparentemente, houve um breve período de vácuo de poder entre a morte de Lenin (21/01/24) e a assunção do novo Presidente, Rykov, em 02/02/24. Porém, lembre-se que, nesse período, Stalin era o Secretário-Geral do PCUS, status, na chefia do governo revolucionário, que assegurou a continuidade da gestão do poder central do país nesses dias.

Notar as presenças, no Poder (Presidência), de Molotov, que veio a ser, mais tarde, Ministro das Relações Exteriores da URSS, e, do próprio Stalin, que acumulou a função de Presidente com a de Secretário-Geral do PCUS. Nesta oportunidade, Stalin passou a deter em suas mãos uma concentração de poder inigualável em um dirigente, porque absoluto.

Foram Primeiros-Ministros da URSS:

- Josef Stalin: 15/3/1946 a 05/3/1953. Stalin passou da função de Presidente à de Primeiro-Ministro em 15 de março de 1946 e permaneceu nesta função de mando até o advento de sua morte, em 5 de março de 1953. Neste período, ele, como ditador, continuou como Secretário-Geral do PCUS e com todos os imensos poderes pessoais decorrentes desse acúmulo funcional. A partir da assunção de Stalin na função de Primeiro-Ministro cumulativamente com a de Secretário-Geral do Partido Comunista, a função de Presidente da URSS ficou vacante, tornou-se inócua. A partir desta posição de Stalin na hierarquia de poder soviética, não havia nenhuma outra função de Poder acima de Stalin. Como Secretário-Geral do PCUS e Primeiro-Ministro o mandatário enfeixava em suas mãos o maior poder unipessoal possível na chefia do Estado. Estas duas funções eram complementares entre si, e, na prática, havia uma fusão de funções; enfim, o Secretário-Geral do PCUS era o ser que detinha a plenitude do poder no Estado Soviético! Com a morte de Stalin, assumiu as funções que ele ocupava, de imediato:

- Georgi Malenkov: 06/3/1953 a 08/02/1955.

Malenkov acumulou a função de Primeiro-Ministro com a de Secretário-Geral do PCUS por breves dias.

O falecimento de Stalin deixou a cúpula diretiva da URSS em grande estado de perplexidade, tendo surgido manifestações de ambições pessoais, desconfianças e suspeitas entre as partes, inclusive, a busca de dominação por uma facção policial (diga-se: Beria). Malenkov não tinha as mesmas características autoritárias e dominadoras de personalidade que caracterizavam seu antecessor.

Foi, então, que, no dia 13 de março de 1953, foi constituído um governo grupal, uma Troika da qual participavam o próprio Malenkov, Vyacheslav Molotov (o Ministrio das Relações Exteriores) e até Lavrentiy Beria (que chefiava a Polícia Secreta da URSS). Essa troika esteve grupalmente no poder até 26/6/1953, quando Malenkov voltou a assumir, individualmente, sua função de Primeiro-Ministro (até 08/02/1955). Esta não foi a primeira Troika na história da URSS; a outra instaurou-se pouco depois da Revolução de Outubro. A instauração da Troika, em 1953, teve grande repercussão internacional.

Em seguida, assumiu a função de Primeiro-Ministro:

- Nikolai Alexandrovich Bulganin: 08/02/1955 a 27/3/1958. Depois:

- Nikita Krushchov (Krushchev): 27/3/1958 a 14/10/1964. Foi, também, Secretário-Geral do PCUS, acumulando as duas funções. Krushchev sucedeu, nesta alta função da direção partidária (PCUS), a Malenkov, que nela esteve apenas durante poucos dias, como dissemos acima, pois logo Krushchev assumiu esta função de mando. Krushchev ocupou essa posição no partido durante quase a totalidade do governo de Malenkov e durante todo o governo de Bulganin, sendo estes Primeiros-Ministros.

O 20º Congresso do PCUS:

Um episódio da maior importância com repercussão em todo o Mundo ao longo de décadas e ainda em nossos dias, foi a realização do 20º Congresso do PCUS-Partido Comunista da União Soviética, em fevereiro de 1956. Nesse evento, Nikita Khrushchov (1894-1970) – secretário-geral do PCUS, em longo relatório, denunciou os abusos de poder e os crimes praticados por Joseph Stalin ao tempo em que ocupava esta mesma função então em mãos do denunciante. Segundo o então dirigente máximo do PCUS, Stalin pôs em prática uma política de culto à sua personalidade e tomou medidas autoritárias e punitivas contra comunistas que considerava serem seus opositores. Os mais dramáticos desses procedimentos foram os famosos Processos de Moscou: de 1936 e de 1938, que redundaram no grande expurgo, fazendo uma quantidade inimaginável de vítimas de difícil quantificação. A partir deste Congresso, teve início, na URSS e nos PCs de todo o Mundo, um esforço de desestalinização, visando apagar a influência do stalinismo na extrema esquerda e em outros setores das esquerdas mundiais. Também, como consequência do 20º Congresso, efetivou-se o enfraquecimento paulatino do poder de liderança e controle mundial partidário do Komintern, vieram a ocorrer cisões internas em PCs em diversos países, o surgimento de movimentos de rebeldia e, mesmo, perplexidades teóricas, estratégicas e táticas em meio aos comunistas no Mundo.

Também, vieram a ser Primeiros-Ministros:

- Alexei Nikolaevich Kossygin: 15/10/1964 a 23/10/1980;

- Nikolay Alexandrovigh Tikhonov: 23/10/1980 a 27/9/1985;

- Nikolai Ivanovich Ryzhkov: 27/9/1985 a 14/01/1991;

- Vladimir Pavlov: 14/01/1991 a 22/8/1991, e

- Ivan Silaiev: 6/9/1991 a 26/10/1991.

Silaiev foi o último político a ocupar a função de Primeiro- Ministro.

Nesta fase final, entre Pavlov e Silaiev, houve um curto período em que o Estado soviético não teve Primeiro-Ministro (ver logo acima). A chefia do Estado, nestes dias e logo após o último Primeiro-Ministro, até o desfecho final da URSS, com curtíssimo intervalo (cf. veremos), esteve a cargo do Secretário-Geral do PCUS, Mikhail Gorbachov.

Em breve a URSS deixaria de existir.

Apesar de haver variações nas estratégias revolucionárias de Lenin, Trotsky e Stalin, na luta contra o capitalismo e pela implantação do sistema comunista, ora sendo valorizada e priorizada a consolidação e o fortalecimento interno da revolução russa, em verdade, os três líderes se empenharam em levar a revolução comunista além das fronteiras da URSS, atuando com vistas a atingir esse objetivo, através da Internacional Comunista/Komintern e dos Partidos Comunistas, nos mais diversos quadrantes da Terra.

As Internacionais:

- A I Internacional foi a Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada em 28/9/1864, em Londres. Marx foi um dos seus integrantes.

- A II Internacional foi a Internacional Operária e Socialista, também chamada Internacional Socialista. Ela sucedeu à I Internacional e atuou de 1889 até 1914, quando foi desencadeada a I Grande Guerra. Nessa entidade se congregavam partidários da revolução armada e reformistas, e nela estavam associados partidos comunistas, socialistas, sociais-democratas e trabalhistas. A revolução russa de fevereiro de 1917 não foi promovida pelo Partido Comunista. Conforme vimos no artigo anterior, ela teve um caráter ideológico com tinturas mais para o socialismo democrático. O Primeiro-Ministro que logo assumiu o poder foi o social-democrata Kérensky. Este foi derrubado da Chefia do Governo Provisório pelo golpe revolucionário do Partido Comunista de outubro de 1917. Estava estabelecida a cisão, no Mundo, entre a extrema esquerda - Partidos Comunistas - e a centro-esquerda constituída pelos partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas.

- A III Internacional foi o Komintern (Internacional Comunista), que atuou, terminada a I Grande Guerra, de 1919 a 1942. Esta entidade comunista internacional foi instituída por V. Lenin juntamente com o Partido Comunista da Rússia, o futuro PCUS. O Komintern, apesar de conter em seus quadros dirigentes chefes políticos pertencentes a outros partidos comunistas, na realidade, funcionava como uma secção do PCUS. Os partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas não faziam parte dessa organização internacional. O Komintern congregava os Partidos Comunistas existentes nos diferentes países, no Mundo. A URSS se envolveu na II Guerra Mundial como um dos países ALIADOS, na guerra contra os totalitarismos nipo-nazi-fascista. Em 1942, Stalin extinguiu (formal, mas, na realidade, apenas aparentemente) o Komintern, em uma ação diplomática simpática aos olhos de seus aliados na guerra, governantes de países capitalistas e democráticos. A partir do fim da II Guerra Mundial, o Komintern - III Internacional passou a atuar, agora abertamente, em sua ação em todo o Mundo.

Antes da fundação do Komintern - III Internacional - Internacional Comunista (1919), toda a esquerda se encontrava congregada na II Internacional-Internacional Socialista, até que esta foi desativada durante a I Guerra Mundial.

- A IV Internacional foi instituída, em 1938, por L. Trotsky, quando esse importante personagem revolucionário comunista russo se encontrava fora da URSS, em outros países, inclusive no Continente Americano (México), fugido do regime stalinista. Trotsky atuava politicamente no exterior, porém, sempre perseguido por Stalin.

Com o surgimento do Komintern (III Internacional), em 1919, a antiga II Internacional foi revitalizada como:

- Internacional Socialista, que voltou a atuar politicamente ao longo do tempo, inclusive em nossos dias.

O líder português Mário Soares (Partido Socialista Português) foi um dos dirigentes da Internacional Socialista. Leonel Brizola, exilado, durante a ditadura militar, foi Vice-Presidente desse organismo internacional de socialistas, sociais-democratas e trabalhistas.

5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

SOBRE O PLANO DE VACINAÇÃO NO AMAZONAS

Segundo o IBGE, o Amazonas tem uma população estimada de 4.207.714 habitantes. O Plano Operacional da Campanha de Vacinação Contra a COVID-19 no Amazonas apresenta a meta de vacinar 1.154.504 habitan

A barbárie bolsonarista, o vírus e seu antídoto

Marcelo Seráfico A situação brasileira é, sob todos os aspectos, desgraçada. O vírus e a doença agravaram-na, pois atiçaram a labareda do bolsonarismo. É tolice cobrar racionalidade objetiva dos que t

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.