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Paradoxo inaceitável e PPB

Enquanto os produtores de motocicletas festejam a sucessiva superação de recordes no setor, as autoridades do trânsito divulgam números resultantes do uso imprudente e indecente dessas máquinas, em Manaus. Em meio às comemorações e às mortes, são conhecidos os objetivos do esforço produtivo do setor, neste exercício mal iniciado. Um dos poucos segmentos industriais que sustentam o faturamento do Polo Industrial de Manaus, seus números (produção, exportação, faturamento e lucros) fazem esquecer o que os hipócritas chamariam danos colaterais. No entanto, é disso que se trata e se testemunha, dia e noite, qualquer que seja o local em que morrem condutores e passageiros desses veículos, na realidade transformados em passaporte para o além. Menos ainda se encontram especialistas e autoridades interessados em avaliar a repercussão do mau uso desse tipo de veículo, no que concerne às despesas públicas incorridas. O atendimento das vítimas dos acidentes que envolvem motociclistas, passageiros e pedestres alcança cifras expressivas, além da sobrecarga de trabalho levada aos prontos socorros e hospitais. Não se conhecem estudos que possibilitem uma comparação entre o que é recolhido aos cofres públicos em razão da produção e vendas de motocicletas e as despesas decorrentes dos acidentes a que tais máquinas dão causa. Agora, Alfredo Lopes, filósofo e estudioso de nossa economia acrescenta motivo que deveria mobilizar os setores responsáveis, desde a academia até os sindicatos de trabalhadores e patrões e - enfim, toda a sociedade. Alfredo Lopes menciona estudo da UFAM em que é indicada expressiva queda no uso de insumos regionais nas cadeias produtivas do PIM. No período de 20 anos (2004-2024), de 32,3% o aproveitamento desses insumos caiu para apenas 18,8%. Não obstante, é recorrente a louvação de nossas riquezas naturais, nos discursos oficiais e no palavreado mentiroso da maioria das lideranças, políticas e empresariais. Há, segundo Alfredo Lopes, verdadeiro esvaziamento do PIM, quando se trata de aproveitar os insumos que a natureza amazônica oferece, e sua absorção no processo produtivo. Um paradoxo que se junta a tantos outros, um dos quais o fato de apresentarmos um dos maiores índices de desigualdade social, embora a renda gerada na cidade de Manaus coloque-a dentre as seis primeiras das capitais brasileiras. O Processo Produtivo Básico talvez devesse incluir esse item (participação de insumos regionais) como fator determinante dos incentivos fiscais de que goza a produção do PIM. Depois, encontrar uma forma de reter na Amazônia parte dos lucros e reinvesti-los na Região seria o passo a dar.

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