Para não morrer na beira

A semana começa promissora. A vacinação contra a covid-19 será iniciada hoje no Reino Unido. É possível até o fim da semana a imunização ter alcançado outras nações. Não é pouco, levando em conta o número de vidas humanas perdidas, grande parte delas atribuíveis à conduta dos governantes de algumas dessas nações. As do Brasil, inclusive. Não obstante, o início da vacinação não é tudo. Na verdade, as esperanças suscitadas não dispensam as medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias, se é que não deveriam levar à obediência irrestrita aos protocolos estabelecidos. Só isso manterá a expectativa favorável, e impedirá as consequências nefastas de certa negligência, quando não do egoísmo. Se ainda não está assegurado o suprimento das vacinas, muito menos foram providenciados os meios necessários à sua aplicação. Até ontem, os procedimentos para a aquisição de seringas (para ficar nesse item) sequer haviam sido abertos. Boa parte da população também tem concorrido para pôr à perder resultados que ainda estão por vir. Quando a margem está próxima, o egoísmo, ou seja lá que outro sentimento, pode comprometer as esperanças do que se imagina ser a maioria. A parte minoritária, nem por isso pagará sozinha o trágico preço cobrado pela pandemia. A organização e comparecimento a atos e locais inseguros, tanto quanto põe em risco os irresponsáveis que a eles comparecem, ameaça terceiras pessoas com as quais têm contato. Nem porque essa seja conduta imputável a muitas das autoridades, o Presidente da República à frente, devem seus seguidores ser isentados das responsabilidades que lhes cabem. Mais e mais, e permanentemente, devemos todos seguir a orientação baseada na Ciência e distante dos interesses políticos e comerciais com que a pandemia tem sido tratada. Evitar aglomerações, usar máscaras, lavar as mãos com frequência e não tocar superfícies expostas ao risco é mais simples que andar e mascar chicletes, ao mesmo tempo.

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