Par imperfeito

Nobel de Economia, o estadunidense Joseph Stiglitz publica oportuno texto no Project Syndicate, comentando recentes episódios em que se envolveu o Presidente de seu país. Comparando-o com Nero e pondo em dúvida a saúde mental de Donald Trump, o ex-Vice-Presidente do Banco Mundial adverte para os riscos decorrentes da presença do candidato à reeleição nas eleições de novembro próximo. Mentira e non-sense foi somete o que Stiglitz viu na participação de Trump, no debate do início de semana com seu opositor, Joe Biden. Pior, porém, o conjunto do que o economista considera graves ameaças à democracia norte-americana. Mantidas minhas reservas sobre a excelência do modelo dito democrático de lá, não me furto a indicar o ponto de vista de Joseph Stiglitz, de resto confirmatórios das minhas objeções ao conceito equivocadamente desfrutado pelos Estados Unidos da América do Norte. O articulista do Project Syndicate indica vários pontos que, no seu entender, constituem sérias ameaças à "democracia" (aqui, as aspas ficam por minha conta) norte-americana. O sistema de pesos e contrapesos, essa imagem construída em torno da divisão dos poderes, vem sendo objeto de permanente ataque de Trump e de seus seguidores republicanos. Uma espécie de proposital fogo amigo, evidente a inadequação do comportamento do partido de Trump e dos liderados deste, em relação à república. Por isso, Joseph Stiglitz não pede menos: o resgate da democracia. O que significa admitir o reconhecimento do premiado com o Nobel de Economia de haver em seu país tal sistema político. O texto não permite avaliar como o autor concilia democracia com prevalência do dinheiro. Pode-se, apenas, considerar muito sugestivo que uma de suas reivindicações é tornar menor a influência do dinheiro nas eleições. No que se faz mais firme minha resistência: dinheiro e democracia não dão um par perfeito.

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