Palavras de ordem


Carregar! Apontar! Atirar! Esses comandos são conhecidos, gravados na mente de quantos se interessam pela História. Tantas as vezes em que eram proferidas, as expressões descrevem a pior das tragédias que maltrataram e maltratam a humanidade – a guerra. Outras formas de atentar contra a dignidade humana dispensaram até o uso das palavras, embutidos o ódio e a perversidade que não precisam delas para manifestar-se. São intrínsecos, latejam nos corações endurecidos, nas mentes embrutecidas, nas mãos que se tingem de sangue. Nas masmorras financiadas por pessoas aparentemente semelhantes aos que sofrem todo tipo de tortura. Também nos porões ocultos, palco da sanha assassina, vírus cevado nos espíritos e nos sonhos de tantos desalmados. Palavras de ordem e comando, sendo de uso de gente que pensávamos semelhante à maioria, têm prazo de validade. Diferentes dos remédios que trazem claro o limite de sua finitude, as palavras desaparecem ou mudam de significado sem que muitas vezes nos demos conta. A exceção aqui é feita aos que sabem íntimo e indesmentível o vínculo histórico entre o ontem, o hoje, o amanhã. A grande maioria, por negligência ou preferência deixa-se levar pelos interesses que não os fazem diferentes dos outros animais, aqueles que dizemos inferiores. Animais incapazes de criar armas com as quais suprirão sua covardia. Armas com que imporão suas escolhas, por mais contraditória seja a opção da maioria. A espécie humana, por piores dos seus exemplares, tem produzido a seu favor outras armas. Já não é mais necessário o grito proclamador da tríplice aliança verbal. Nem a tropa formada frente ao justiçado, ou entulhando trincheiras no chamado teatro de operações. As trincheiras hoje acolhem as vítimas desses mesmos justiceiros, mas elas estão nos cemitérios. Nada de teatro, de operações que seja. Bastam as máscaras que a covid-19 exige, onde a hipocrisia faz esquecer sua presença. E o novo grito ecoa, firme - até quando? Abramos o isolamento!

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