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Pétain e as terras brasileiras

Uma coisa pode ser dita, sem medo de erro: a tentativa de fazer o Brasil retroceder e viver sob uma ditadura não cessou. Ela se tem manifestado nos mais diversos palcos, e em qualquer oportunidade que deixem os seus agentes à vontade para reiterar sua conduta criminosa. Só não se diz surpreendente a forma como os familiares do ex-presidente preso expressam seus maus dotes, porque não há uma só palavra em seu discurso e um só movimento em sua militância golpista, que destoe do roteiro permanente em sua vida. Com várias condições agravantes, seja pelo absoluto desprezo em relação ao povo brasileiro e a crescente subserviência que revelam diante dos que se consideram os donos do Mundo, seja pelos propósitos que parecem cada dia mais lesivos à pátria e aos direitos de seus concidadãos. Se esta não é expressão sujeita a reparos, tão diferentes são os golpistas da maioria dos brasileiros de boa índole. Se, antes, parte da população ainda poderia admitir, por absurdo, um traço que fosse de boas intenções, agora não pode restar mais qualquer dúvida. O que antes poderia ser visto como mera manifestação de retórica esvaziada de conteúdo sério, transformou-se em gesto desesperado, próprio aos que se sentem perturbados pelo fracasso de sua missão. O discurso do amor à pátria, mesmo contraditório às reverências diante dos símbolos e da autoridade-maior de outro país, foi substituído pela promessa solene e clara de exercício consciente da servidão voluntária. Quando o Planeta conclui pelas vantagens comparativas das nações em cujo território existem terras raras, é proclamada em público a intenção de entregá-las a terceiros, um crime em si mesma. Pior, em palanque montado no exterior, e no país cujo governo as tem cobiçado e a experiência mostra sempre seduzido para obter à força o que lhe é negado nas mesas de negociação. Pétain, o agente de Hitler na França, parecerá um aprendiz de traidor, se comparado aos traidores brasileiros em atividade.

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