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Pé e cabeça

Parece tênue, quase imperceptível, a diferença entre o caráter das pessoas e instituições. Talvez a principal razão disso esteja no fato de as instituições não serem mais que um coletivo de indivíduos, de alguma forma vinculados para alcançar objetivos que lhes são comuns. Nem toda organização logra chegar à condição institucional, pelas mais diversas peculiaridades. Uma delas - se não a mais importante -, o reconhecimento social de seu protagonismo na vida pública. É, portanto, o tônus político da organização que a faz receber o atributo institucional. De sua maior ou menor influência na vida da sociedade poderá advir o respeito ou a rejeição de suas posições, ao longo de sua própria história e, obviamente, da história da sociedade em que se insere. Há que considerar, ainda, os valores gerados nas relações interpessoais dentro da organização, além do ajustamento desta aos sonhos, aspirações e desejos da sociedade abrangente. Esse é tema e esses são, pelo menos, alguns dos aspectos a que os estudiosos das ciências sociais devem dedicar crescente atenção, após as investigações sobre o golpe frustrado de 8 de janeiro de 2023. À conhecida presença e influência dos militares na ruptura do ordenamento político acrescentam-se condutas reveladoras da dinâmica social característica do ambiente castrense. Os interesses originais das organizações militares, influenciadas como todas as demais organizações pelo avanço tecnológico, procuram ajustar-se a esse tipo de progresso. Não ocorre o mesmo, todavia, quando se observam os valores e sua adequação a preceitos ligados à percepção e conduta dos membros dessas instituições. Ao mesmo tempo em que reivindica a modernização tecnológica, a caserna opera sob o pressuposto de um Mundo pautado pelas relações vigentes até a derrubada do muro de Berlim. Quase meio século depois da implosão da União Soviética, impossível haver comunistas como os de antigamente. No entanto, os anti-comunistas não arredaram o pé. A cabeça, muito menos.

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