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Durante a campanha eleitoral, o agora Presidente eleito da Argentina escandalizou setores à direita e à esquerda. Os primeiros olharam com desconfiança a promessa de extinguir o Banco Central e dolarizar a economia. A esses, não lhes bastava a perspectiva de disseminar o uso de armas, nem a de investir no que pode ser novo e lucrativo setor, o da venda de órgãos humanos. Nas contas desse grupo, dois olhos e dois rins numa mesma pessoa parece exagero da natureza. Sobretudo se com eles são aquinhoados pobres e ricos. Não é esse um traço de distinção atribuído pela Biologia Aos esquerdistas desagradaram a obediência cega ao mercado e políticas de imigração restritivas. É em relação a estas que já se pode registrar o primeiro recuo de Milei. Ele o disse sem tímido embaraço ou o mínimo esgar. A Argentina receberá cidadãos, de onde quer que eles cheguem. O Presidente eleito também jurou amor e respeito à democracia. Tanto quanto, talvez por ter tomado chás tranquilizantes como mencionaram alguns jornalistas, ele se mostrou contido, sem o estardalhaço que o faz parecer clone de Boris Johnson. Enfim, Javier Milei começa a comportar-se como se já estivesse na Presidência e conhecesse as responsabilidades do posto. A esta altura, ainda não se sabe como reagiu à mensagem do Presidente da República do Brasil, talvez o primeiro chefe de Estado a cumprimentá-lo. Enfim, quando o dia 10 de janeiro chegar e o eleito sentar na cadeira da Casa Rosada, vai-se saber o que é pra valer - o discurso de campanha ou o da noite de 19 de novembro. Milei repetiu que a Argentina virou mais uma página de sua História. Tudo não será como antes. Terá sido a pá de cal no persistente peronismo?

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