Ouvir quem sabe

A despeito do crescente desprestígio que o pensamento e a ciência têm recebido dos governantes contemporâneos, certamente ainda há os que vêem os livros como boa fonte de conhecimento. É verdade que nem todos ajudam a compreender o mundo e a vida, não sendo raros os que se esforçam por negar a realidade e fazê-la segundo suas intenções, em geral malévolas. Perversas, em muitos casos. Não é destes que me ocupo. O que pretendo é sugerir aos que dão ouvidos a quem tem algo a dizer. Não porque instalado em algum posto do poder, mas pela trajetória percorrida, na vida mais que no ambiente acadêmico, sendo este nem sempre capaz de forjar bons pensadores. Refiro-me, especificamente, a dois dos mais respeitáveis professores europeus, francês um, alemão o outro. O primeiro deles, do Instituto de Botânica de Montpellier, é Edgard Morin. Recentemente, entrevista prestada por ele e publicada na revista Avenire em 15 deste abril considerou tripla a crise por que passamos, pelo seu caráter e pela complexidade que a configura. O mestre em complexidade afirma sua preocupação com a pandemia em curso (aí o aspecto biológico da crise), com as restrições de ordem econômica (aspecto econômico) e com a mobilidade intensa em vários sentidos, a que ele dá caráter civilizacional. Sua dedicação ao estudo dos fenômenos sociais e suia complexidade, tanto quanto aseus 97 anos dizem da importância de ser ouvido.

Outro, o filósofo alemão Jürgen Habermas chegou à nona década de vida. Também em entrevista publicado no jornal República, em 12 deste mês, revela sua preocupação com a "tentação utilitarista" e o nacionalismo alemão. Embora achando que a Alemanha é vacinada contra o nazismo, depois da trágica experiência do século passado.

Dois aos quais o envelhecimento deu sabedoria, ao invés de artroses e reumatismo.

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