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Os sapatos de Trump

Donald Trump não merecia menos. As decisões lesivas aos interesses da ampla comunidade de colombianos, objeto de seus primeiros atos na Presidência, foram respondidos à altura pelo Presidente da Colômbia Gustavo Petro. Não se pense, porém, que basta isso para o líder da extrema direita mundial estancar seu ímpeto, mais que maldoso, belicoso. O que interessa a Trump é arriscar o que puder, na vã tentativa de impedir que se esboroe mais rapidamente o império de que se tem como titular e magister maximus. Do Brasil já veio a primeira resposta, consistente na dispensa de serem os brasileiros deportados da que se autointitula uma democracia, sem o ser, transportados de Manaus a Belo Horizonte. A determinação de Lula, para que um aparelho da FAB fizesse a segunda etapa da viagem de devolução à terra da qual jamais deveriam ter saído foi a forma até agora exigida de responder ao arrogante e odioso empresário posto de novo à frente daquela terra construída por imigrantes de todos os continentes. Vai se tornando mais clara a intenção intimidatória de Donald Trump, esperto o suficiente para saber que administra uma nação que só impedirá seu próprio declínio e perda gradativa de influência e poder, se conseguir tocar fogo no Mundo. Seja pelo fomento, estímulo, apoio e cumplicidade com os conflitos atuais e outros que seu próprio governo levará a outras nações. Fora disso, Trump sabe que a realidade internacional cada dia torna menor seu campo de manobra. Prova disso é a forma supostamente amigável com quem vem tratando a China, um estado capitalista diferente apenas em um particular aspecto - é um capitalismo de estado, não a selva em que se tem transformado toda nação que segue à risca o modelo norte-americano, chame-se ele de capitalismo, neoliberalismo ou anarcocapitalismo. Há, porém, outros problemas que incomodam o Presidente norte-americano, pelo que podem contrariar os interesses ditados pela arrogância, o egoísmo e a vocação dele mesmo: refiro-me ao BRICS, já constituindo, hoje, uma pedra no sapato do suposto dono do Mundo. A história está cheia de exemplos, míticos alguns (como a vitória de Davi sobre Golias), reais outros (como o fracasso de seu país no Vietnam), mas seria exigir o que Trump não tem, para aprender com a História. Não será fácil como ele e os pascácios que o seguem pensavam, ir à frente com sapatos cheio de pedras.

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