Oportuno

Diante do quadro com o qual convivemos, torna-se oportuna a poesia de Augusto dos Anjos (*1884-+1914). Com um só livro publicado (Eu e outras poesias, 1912), o poeta paraibano é tido por alguns críticos como um pre-modernista. Por outros, como simbolista ou parnasiano. Morto aos trinta anos, de doença pulmonar, por essa circunstância e por outras, atuais, justifica-se a publicação de um de seus mais conhecidos poemas.

Ei-lo:


VERSOS ÍNTIMOS*


Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão -- esta pantera –

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Es'fncarra nessa boca que te beija!

________________________________________________________________________________

*


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